segunda-feira, novembro 03, 2014

12

Eu amo essa noites sem vento. Em que eu posso acender um cigarro, abrir a janeça e ver a fumaça indo embora por ela. Como se ela fosse bem devagar. Me dizendo tchau. A fumaça do cigarro normalmente é azul mas se você tragarela e soltar ela fica com uma cor meio branca. Acho que sim pelo menos. Numca falei disso com ninguém para confirmar.
            Eu abro a janela e fco aqui ouvindo minhas musicas preferidas.
            Foi só digitar isso e começou a ventar. Agora eu sopro a fumça pela janela e ela volta na minha cara. O vento tem dessas coisas. É como a vida. se você mijar contra o vento ele jog tudo em você de volta. É como a vida. Realmente.

            Eu não sei bem o que estou dizendo nem sei também o que eu queria dizer com esse texto aqui. Acho que esse texto também é como a vida: não tem um objetivo claro. Você vai digitando e enchendo uma página do word só por  que é assim que vc tem feito desde sempre eprovavelmente o faz pq não sabe fazer de outra maneira.

domingo, novembro 02, 2014

11

                Eu sonhei com isso uma vez. Era tipo um prédio gigante cheio de tuneis e escorregadores. Mas não era um prédio feito com tijolo ou parede era mais como uma caverna toda escavada na pedra. As pessoas iam escorregando pelos tuneis que davam um milhão de voltas e depois caíam em uma outra caverna. E assim sucessivamente por muito tempo. Até que eu resolvi que não ia mais descer em nenhum túnel  já  que eles eram pequenos demais pra mim.
                Depois disso todo mundo continuou descendo mas eu fiquei encarando aquele buraco preto na minha frente até que finalmente acordei. Eu sempre sonho com buracos. Teve uma vez que eu sonhei com uma espécie de um poço que ficava atrás do meu prédio. Esse poço fazia com que todos os prédios se dobrassem em direção a ele. Em direção ao poço digo. Com o tempos os prédios acabaram sendo engolidos e aí tudo explodiu lançando pedaço de prédio pra todo lado.
                Eu fugi pro mais longe dali. O que era, por acaso um apartamento de frente pra praia. E tudo tinha uma iluminação muito estranha. Parecia  que era tudo Golden hour. E de lá da casa da praia eu ainda escutava o buraco sugando por um tempo até explodir tudo de novo. E eu sabia que um dia ele chegaria alí naquele apartamento que eu tava. Mas não tinha pra onde ir maisjá qu tinha um mar na minha frente.

                Então, um dia, a parede do apartamento que ficava para o lado desmoronou e eu podia ver o buraco agora. Depois disso sái do apartamento e acordei

sábado, novembro 01, 2014

10

            Quando eu descobri o Paint num computador velho lá de casa eu descobri que eu podia ser um artista moderno se quisesse. Eu não tinha nenhum jogo pra rodar no computador então ficava rabiscando com o pincel até fazer um monte de riscos e tal. Aí depois eu pegava o baldinho de tinta e ia colorindo que nem um maluco até ficar tudo colorido.
            É serio cara. Eu tinha uma pasta com umas 400 imagens lá no meu computador velho.
Qual não foi minha surpresa quando ví que o romero britto  ganha muito dinheiro fazendo a mesma coisa

domingo, agosto 31, 2014

9


      Faz algum tempo que eu estou pretendendo começar uma espécie de diário ou alguma coisa assim. Faz muito tempo que eu não escrevo nada. Eu comecei um conto bem longo uns 4 meses atrás. Cheguei na página 22 e estou parado desde julho nesse impasse. Também to escrevendo um conto curtinho, mas também me falta ânimo pra terminar.

      Ficar deitado olhando para o teto é muito mais interessante que qualquer coisa que eu poderia estar fazendo. Na verdade to no trabalho neste momento. Como não tem nada para fazer aqui eu estou escrevendo esses textos.    
      De vez em quando minha chefe vem aqui aí eu abro algum programa e finjo que estou fazendo algo muito interessante.  O mundo empresarial é uma piada ridícula sinceramente.
      É como se todo mundo estivesse fazendo alguma coisa muito importante mas, na verdade, elas estão só enrolando.

      Eu to com muita dificuldade pra escrever as palavras cara. Acho que é o sono mas eu já errei todas as coisas do mundo.
Já coloquei ç onde era s
Ss onde tinha ç
      E também tem o meu erro que já estou até acostumado: mecher


      Cada vez que eu vejo que escrevi assim eu fico maluco cara. Mas é mais forte que eu. Desculpa qualquer coisa.

sábado, agosto 30, 2014

8



        Todo dia eu acordo de manhã e sento na mesa com minha xícara de café. Então eu olho pra baixo enquanto me pergunto “oh deus todo poderoso, o que é agora?” e me deparo com uma mancha de caldo de feijão. Essa mancha já está lá na toalha há vários dias.
        No começo ela era marrom como feijão normal mas, com o passar dos dias (ou meses... ninguém sabe na verdade), ela foi ficando esbranquiçada e quebradiça. Uma parte dela virou um pó na verdade.
        Eu imagino, com certo nojo na verdade, a enorme quantidade de pó de caldo de feijão que a gente respira por dia. Se na em cada residência do Brasil as pessoas derrubarem uma gota por dia, calcule você essa porra.
        O problema na verdade é que eu odeio feijão. Quando como é só para não fazer desfeita na casa dos outros. Então, não consigo imaginar por que uma porcaria de uma gota de caldo de feijão está ressecando na minha toalha há tanto tempo.
       

        Sei lá. De qualquer forma eu olho pra ela e sinto qualquer coisa poética. Me dá vontade de escrever uns versos sobre a gota. Como estou sem prática de escrever poeminhas eu resolvi mandar isso aqui mesmo. Obrigado. Valeu. Falou.

domingo, junho 22, 2014

                Marvin estava encostado na grade há um bom tempo. Várias pessoas também estavam encostadas a sua volta, mas ninguém prestava atenção nele. Todos estavam olhando para dentro da pista de skate onde um cara parecia saber voar. Ele subia e descia. Ia dando grind nas bordas da piscina vazia. Todas as meninas queriam dar pra ele e, alguns meninos também.
                Por várias vezes parecia que ele ia cair de costas no chão, mas era só mais uma manobra. De lá de longe veio chegando como quem não quer nada um cara alto que andava um pouco curvado por aí. Ele fumava um cigarro e chutava pedrinhas enquanto andava.
-oi Marvin- ele disse como se estivesse morrendo
-e aí Luiz. Faz muito tempo que não te vejo. Sei lá uns 6 meses
-pois é
-ainda tá escrevendo alguma coisa?
-parei.
-como assim Luiz?
-O que eu escrevia parou de fazer sentido pra mim
-é uma  pena, parar de fazer sentido é a pior coisa que já me aconteceu.
                Luiz ficou um tempo olhando o skatista e, então, ofereceu um cigarro para Marvin. Ficaram fumando em silêncio até que o skatista saiu de dentro da piscina vazia e colocou seu skate de lado.
-o que ele tem que nós não temos?
-habilidade...
-além disso?
-sei lá
                Um monte de gente estava em volta do skatista conversando com ele. Marvin e Luiz continuaram encostados na grade fumando um cigarro. Por fim, Marvin quebrou o silêncio.
-um monte de coisa parou de fazer sentido ultimamente.
-quando eu era mais novo eu andava de skate
-tipo, eu entendo que o sol nasce todo dia.
-mas eu era muito ruim
-mas não entendo por que o resto, tudo, acontece assim manja?
-foda... Mas eu tinha medo de quebrar o braço
-tipo quando você acorda com medo no meio da noite. Eu acordo tremendo e me cubro com o lençol até cair no sono.
-minha prima andava de skate melhor que eu
-aí quando eu acordo de manhã eu acabo me lembrando que acordei com medo ontem e penso “caralho Marvin, tu é muito escroto”
-se eu tivesse dinheiro ia aprender a andar de skate hoje em dia
-mas nada disso importa porque a noite eu acordo de novo morrendo de medo. E eu nem tava sonhando com nada. Só acordo com medo e tremendo que nem um cachorro de madame.
-foda... Mas custa caro demais
-tipo, ontem eu acordei com medo, mas voltei a dormir só pra ter um sonho bizarro em seguida.  Cara meu sonho foi mais ou menos assim. Era como se eu tivesse num videogame, um videogame muito ruim. Eu tinha uma arma, tipo um revólver preto, que eu mirava nas pessoas. Eu tava tentando levar outros dois caras, ou um cara e uma mina, não me lembro,  pra um ponto específico do prédio. E essas pessoas continuavam vindo atrás de mim pra me matar. Eu mirava elas com meu revólver preto e atirava. Atirava várias vezes. E elas nunca levavam tiro. Simplesmente desapareciam depois que dava 6 ou 7 tiros nelas. Minha vó, quando me ensinou a atirar, empunhava uma pistola azul de brinquedo que eu tinha. Ela falou algo como “se você pegar assim, com uma mão cobrindo a outra, e apontar acima do alvo e descer um pouco até ter na mira o que você quer acertar. Bum. Você nunca erra”. Eu fazia exatamente como minha vó mandou, mas mesmo, assim errava aquelas pessoas. Depois de um tempo eu encostei as pessoas que tava escoltando numa parede e os mandei ficar relaxando um pouco por que tava cansado. Nesse momento mais dois inimigos vieram, um cara e uma mina. Eles não me viram a principio então eu fiquei parado. Cada um tinha uma espingarda muito bizarra parecia de brinquedo. Aí o cara colocou a dele de lado e resolveu tirar a blusa. Ficar sem camisa no meio duma porra duma guerra. Aí a mina ficou se esfregando nele. Eu fui, rastejando, até a espingarda e peguei-a. Engatilhei e voltei rastejando até o cara. Mirei no cu dele. Sério, mirei bem no cu dele. E atirei. Por um momento achei que a arma não ia funcionar já que  ela parecia uma arma de brinquedo. Mas funcionou.  Saiu sangue por todo lado. E o cara caiu em cima de mim. A mina ficou gritando alguma coisa em russo ou ucraniano ou bósnio sei lá. Eu me levantei e coloquei a espingarda no peito dela e atirei. Bum.  Mas ela não caiu. Então ela tirou a blusa e falou “OSSO CRIPOTIKIN” que eu entendi quando vi que ela tava de colete. Então eu falei “ah foda-se. Quer fazer amor?”. Amor... Quando foi que eu falei desse jeito! Ela concordou com a cabeça e eu puxei minha pistola pra fora aí eu notei que minha pistola tava muito pequena. Parecia a pistola de uma criança... E foi diminuindo, diminuindo. E ela tava lá sentada em alguma coisa com as perna aberta na minha frente. E minha pistola era do tamanho dum rigatone. Inútil. Olhei pra ela, sem jeito e ela me olhou. Não era muito bonita, mas também não era nada feia. E eu lá... Sem pinto. De qualquer forma agarrei ela pela cintura e pensei “vou fuder assim mesmo”, mas quando me aproximei mais ela tinha virado... Olha só que merda. Ela tinha virado uma garrafa de cocacola. E uma garrafa de coca vazia.
-tipo, quando eu parei de escrever poemas, achei que ia arrumar um novo hobby.
-isso quer dizer o que? Que eu me vejo como um idiota sem pinto?
-talvez o skate seja o caminho.
-que eu me acho incapaz de satisfazer uma mulher?
-olha lá! O cara tá pegando uma mina
-será que eles falavam russo porque eu me julgo incapaz de me comunicar com os outros?
-eu comia aquela rabeta fácil
-e porque eu matei o cara que ela tava pegando? Sou um ciumento doente?
-cara quantas coisas tem no mundo além de um skatista suado...
-porra mano eu to muito preocupado com tudo isso. Acho que é um sinal de alguma forma... Minha sanidade me abandonando.
-por exemplo, os poetas!
                Marvin ficou pensativo enquanto o Luiz puxou um bloquinho do bolso e começou a rabiscar nele com uma caneta de propaganda. O skatista ignorava a existência daqueles dois seres bizarros. Tão diferentes um do outro e, até por isso, muito parecidos também.
                Luiz olha para Marvin e começa a declamar:

Gata, Você já notou
Que toda vez que nós
Nos encontramos e estamos a sós
Você fica dançando e dando show?

Tudo isso é muito triste
Pois o escuro não te deixa ver
Meu membro em riste

-o que você achou?- Luiz perguntou
-to achando isso tudo uma merda. To muito confuso.
-também achei meio direto demais. Falta metáfora.
-o que?
-meu poema
-ah tá... Bom, Luiz, já to indo até depois.


                Marvin saiu andando em direção a sua casa e deixou o Luiz lá, procurando a metáfora  necessária, pra amolecer seu membro em riste.

segunda-feira, junho 02, 2014

7

Cara eu estou lendo um livro. Esse livro se chama “pornopopéia”. Mas não é tão pornográfico como poderia parecer. É tipo um romance sobre um cara que cheira muito e trepa muito e essas coisas.
            Talvez seja meio pornográfico mesmo. Mas tanto faz eu sou ‘de maior’ e ainda por cima já tenho quase 21 anos. VINTE E UM ANOS. Já sou, pra efeitos legais quase um adulto em todos os países do mundo. Já posso me casar e ninguém vai poder dizer um ‘a’ contra por que: “foda-se. Eu tenho 21”.
            Eu tenho certeza que minha vida não vai mudar nem um centímetro depois do dia 21 de julho por motivos de: isso já me aconteceu antes. Quando eu fiz dezoito eu achei que ia ser muito diferente. Que eu ia, magicamente, descobrir tudo o que eu precisava saber na vida. Afinal os adultos não tem dúvidas. Risos.
            Na época do cursinho eu comecei a escrever um romance que depois eu abandonei. Chamava “Tales From the Whore Paranoia”. Era sobre um cara que namorava uma puta e todas as aventuras que acontecem com você quando está apaixonado por uma mulher de vida fácil.
             A vida delas, aliás, não é nada fácil.
            Mas esse cara também tinha uma gata chamada Ana Julia e passava o dia todo bebendo conhaque no sofá dele. Bem parecido comigo: ele também queria escrever umas coisas mas sempre abandonava tudo.
            Eu mostrei a ideia para uma amiga minha, que namorava uma outra amiga minha. E elas começaram a dar palpites. A outra amiga era um tanto mais velha tinha uns 27 anos enquanto eu tinha só 17. Ela disse que não fazia muito sentido o  personagem do  meu livro ser meio perdido, sem saber o que fazer com a vida pois depois que você fica mais velho esse tipo de coisa desaparece.
            Acho que ela não me conhecia muito bem né.
            Mas nada disso tem a ver com o livro que eu estou lendo “pornopopéia”. No livro o cara tem que escrever um roteiro para um vídeo institucional sobre um frigorífico se não me engano.
            “embutidos de frango” acabei de verificar aqui.
            Mas ele não consegue escrever nada pois toda hora alguma coisa acontece. Ou ele vai pra um centro de yoga (sei lá se é yoga. Essas porras de meditação indiana) outra hora a coca dele acaba e ele tem que ir buscar mais na Augusta. É um livro bem legal. Um pouco exagerado em vários momentos, mas eu não consigo largar depois de ler uns 10 páginas seguidas.
            A propósito você pode ler o conto/texto. Que originou o “Tales” aqui mesmo nesse blog decrépito. Acho que o texto tem exatamente esse nome.
            Eu sei que normalmente eu escrevo esse tipo de texto pois quero ficar me lamentando e falando como estou depressivo ultimamente mas dessa vez eu não vou falar sobre isso. Simplesmente por que eu não quero. Mas, se você deseja mesmo saber, essa semana eu passei ou bêbado ou deprimido.
            No momento eu tô trabalhando num projeto muito importante para minha sanidade. O projeto se chama: ficar-bêbado-sempre-que-possível-e-fumar-sempre-que-me-oferecerem-um. Tem dado certo. Essa semana eu saí bastante e consegui ficar bastante bêbado pelo menos dois dias.
            Palmas para mim que sou um exemplar lindo e bem sucedido e sofisticado de homem branco reclamão.
            Clap clap clap clapclapclapcpclapclap fapfapfapfap

            Eu comecei a escrever isso aqui, pois eu também tenho um vídeo institucional para fazer e não estou com a mínima vontade. Inspiração não é nada necessária na publicidade. Você precisa ler sobre o seu produto, ler sobre o publico alvo, escrever alguma coisa relevante que vai mudar a vida do consumidor. Aí você imprime tudo, rasga a impressão, deleta o arquivo e escreve algo que tenha alguma chance de ser aprovado pelo cliente.

            Desculpa pessoal, às vezes eu posso soar meio amargo.

quarta-feira, abril 02, 2014

Fernando

                “Você nem desconfia o motivo deu ficar todos os dias malhando e puxando ferro na academia. É porque quase dez anos atrás você falou assim com desdém “nossa vc é legal mas meu namorado é mias alto e mais forte que você” e agora você vê? Eu cresci. Nunca fui tão forte e tenho quase um metro e oitenta e cinco. Não é daora? Claro que sim. E isso é suficiente pra você? Você parou de correr atrás de quem não se importa com você?
                Não, claro que não. Você continua aí buscando alguma coisa que nunca vai existir. Você sabe de um coisa? Eu existo. Você se lembra disso quando vai dormir?”

- e ela respondeu o que?
-nada. Ficou com cara de cu enquanto eu ia embora.
-que pena. Esse foi um bom sermão. Você podia ser pastor, Moisés... Qualquer merda assim.
                Ele me olhou por um momento e depois se levantou pra jogar um papel no lixo.
-e o pior de tudo é que ela nem sabe meu nome ainda.
-você já falou com ela alguma vez? Digo, quando ela “falou com desdém” ela não se dirgia a você né?
-tava falando com uma amiga. E isso importa?

-não, claro que não. 

segunda-feira, dezembro 30, 2013

31122013

Fazia um calor insuportável.
Você me mandou oi pelo celular.
Tentei responder, escrever um poema,
Ser agradável.
Mas fazia um calor insuportável.

Quando penso em tudo que passamos
Só vejo coisas que deixamos de fazer
Nos conhecer, nos odiar,
Etecetera

Essas coisas que nossos pais não deixaram faltar
E essas coisas que pareciam tão certas
Viajar no verão e ver as luzes de natal.
Ou qualquer outro tipo de programa

Apropriado para uma família exemplar.

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último poema do ano.
não te desejo felicidade em 2014
desejo que vc tenha exatamente aquilo 
que vc precisa
ainda que não seja o que
vc quer

sexta-feira, dezembro 27, 2013

FRED

                A língua tela tinha gosto de cigarro mentolado. Ela reclamou que meu lábio tinha gosto de sangue de novo.
                “Toda vez que fica frio e depois quente e depois frio e alguém fica mordendo meus lábios eles sangram um pouco. Minha pele é muito fina.”
                Ela me olhou como se não acreditasse o grande merda que eu era. O grande merda com quem ela tinha passado o dia todo fazendo sei lá o que. Mas também isso pode ter sido minha imaginação.
                “Eu tenho que ir” ela falou e virou o último copo de cerveja. Eu não entendi, mas eu acho que ela falou algo como “me ligue depois”.  Ela então saiu rebolando pela porta e todos os homens olharam pra ela. Ela usava uma saia de couro ou algum material parecido, dava vontade de tirar aquela saia o mais rápido possível. E eu sei que cada homem daquele bar, e até algumas mulheres, pensaram o mesmo que eu pensei.
                Fiquei lá me sentindo o maior merda do universo. Acendi um cigarro e um cara apontou a placa de ‘proibido fumar’ com a maior cara feia. Foda-se você eu pensei enquanto apagava o cigarro.
                Entrou pela porta um cara que eu conhecia muito bem. Seu nome -acho eu- era Fred. Me viu e sentou na minha mesa. Fred era, com certeza, o cara mais lindo da cidade. Ele ficou me olhando com sua cara linda sem dizer nada por sei lá quanto tempo até que falou um simples “oi Marvin”.  Fazia um calor dos diabos e eu esvaziei mais uma cerveja. “e ai Fred?”
                Fred tinha esse problema, apesar de ser o cara mais lindo que todos naquele bar tinham visto, ele não queria ninguém. Ele não era gay, nem era hétero. Não pergunte como um cara daqueles não queria comer ninguém mas era isso que ele sempre me dizia. “porra Marvin eu não acho ninguém que valha um segundo da minha atenção”
                Muito me surpreendia que ele estivesse me dando um minuto de sua atenção, mas eu acho q até caras como o Fred precisam de amigos pra beber às vezes.
                “você acredita em amor?”
                “Marvin, eu acredito no amor. Mas só para os outros, pra mim eu não sei”
                “Ela me disse que eu deveria parar de ler Bukowski e focar nos meus objetivos. Que desse jeito no máximo eu chego até um merda, ao invés do ‘merda-total’ que eu sou hoje”
                “E o que ela sabe sobre qualquer coisa? Ela me lembra meu pai. O velho era um merda e queria dar palpite na merda dos outros. Ei Marvin, não escute as pessoas, elas vão te botar pra baixo se você deixar.”
                “Fred eu realmente duvido que alguém te colocaria pra baixo. Tu parece um modelo de revista, qualquer homem ou mulher só teria elogios pra você. Ainda que você fosse um boçal, o que eu sei que você não é.”
                “Você acha isso, muita gente acha isso. Eu é que não consigo acreditar nessas coisas que você acabou de falar. Sei lá, sou estranho. Rock britânico e depressão acabam impregnando em você.”
                “É cara acho que sim. Você lembra do Luís, sempre confiante escrevendo poemas horríveis? Sumiu, nunca mais ví”
                “uma hora ele aparece pra te ler umas merdas.
                “Te vejo depois, se eu não morrer no caminho.”

                “A filosofia de vida de Marvin é que ele pode morrer a qualquer momento. A tragédia, ele dizia, é que ele não morre”