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domingo, junho 22, 2014

                Marvin estava encostado na grade há um bom tempo. Várias pessoas também estavam encostadas a sua volta, mas ninguém prestava atenção nele. Todos estavam olhando para dentro da pista de skate onde um cara parecia saber voar. Ele subia e descia. Ia dando grind nas bordas da piscina vazia. Todas as meninas queriam dar pra ele e, alguns meninos também.
                Por várias vezes parecia que ele ia cair de costas no chão, mas era só mais uma manobra. De lá de longe veio chegando como quem não quer nada um cara alto que andava um pouco curvado por aí. Ele fumava um cigarro e chutava pedrinhas enquanto andava.
-oi Marvin- ele disse como se estivesse morrendo
-e aí Luiz. Faz muito tempo que não te vejo. Sei lá uns 6 meses
-pois é
-ainda tá escrevendo alguma coisa?
-parei.
-como assim Luiz?
-O que eu escrevia parou de fazer sentido pra mim
-é uma  pena, parar de fazer sentido é a pior coisa que já me aconteceu.
                Luiz ficou um tempo olhando o skatista e, então, ofereceu um cigarro para Marvin. Ficaram fumando em silêncio até que o skatista saiu de dentro da piscina vazia e colocou seu skate de lado.
-o que ele tem que nós não temos?
-habilidade...
-além disso?
-sei lá
                Um monte de gente estava em volta do skatista conversando com ele. Marvin e Luiz continuaram encostados na grade fumando um cigarro. Por fim, Marvin quebrou o silêncio.
-um monte de coisa parou de fazer sentido ultimamente.
-quando eu era mais novo eu andava de skate
-tipo, eu entendo que o sol nasce todo dia.
-mas eu era muito ruim
-mas não entendo por que o resto, tudo, acontece assim manja?
-foda... Mas eu tinha medo de quebrar o braço
-tipo quando você acorda com medo no meio da noite. Eu acordo tremendo e me cubro com o lençol até cair no sono.
-minha prima andava de skate melhor que eu
-aí quando eu acordo de manhã eu acabo me lembrando que acordei com medo ontem e penso “caralho Marvin, tu é muito escroto”
-se eu tivesse dinheiro ia aprender a andar de skate hoje em dia
-mas nada disso importa porque a noite eu acordo de novo morrendo de medo. E eu nem tava sonhando com nada. Só acordo com medo e tremendo que nem um cachorro de madame.
-foda... Mas custa caro demais
-tipo, ontem eu acordei com medo, mas voltei a dormir só pra ter um sonho bizarro em seguida.  Cara meu sonho foi mais ou menos assim. Era como se eu tivesse num videogame, um videogame muito ruim. Eu tinha uma arma, tipo um revólver preto, que eu mirava nas pessoas. Eu tava tentando levar outros dois caras, ou um cara e uma mina, não me lembro,  pra um ponto específico do prédio. E essas pessoas continuavam vindo atrás de mim pra me matar. Eu mirava elas com meu revólver preto e atirava. Atirava várias vezes. E elas nunca levavam tiro. Simplesmente desapareciam depois que dava 6 ou 7 tiros nelas. Minha vó, quando me ensinou a atirar, empunhava uma pistola azul de brinquedo que eu tinha. Ela falou algo como “se você pegar assim, com uma mão cobrindo a outra, e apontar acima do alvo e descer um pouco até ter na mira o que você quer acertar. Bum. Você nunca erra”. Eu fazia exatamente como minha vó mandou, mas mesmo, assim errava aquelas pessoas. Depois de um tempo eu encostei as pessoas que tava escoltando numa parede e os mandei ficar relaxando um pouco por que tava cansado. Nesse momento mais dois inimigos vieram, um cara e uma mina. Eles não me viram a principio então eu fiquei parado. Cada um tinha uma espingarda muito bizarra parecia de brinquedo. Aí o cara colocou a dele de lado e resolveu tirar a blusa. Ficar sem camisa no meio duma porra duma guerra. Aí a mina ficou se esfregando nele. Eu fui, rastejando, até a espingarda e peguei-a. Engatilhei e voltei rastejando até o cara. Mirei no cu dele. Sério, mirei bem no cu dele. E atirei. Por um momento achei que a arma não ia funcionar já que  ela parecia uma arma de brinquedo. Mas funcionou.  Saiu sangue por todo lado. E o cara caiu em cima de mim. A mina ficou gritando alguma coisa em russo ou ucraniano ou bósnio sei lá. Eu me levantei e coloquei a espingarda no peito dela e atirei. Bum.  Mas ela não caiu. Então ela tirou a blusa e falou “OSSO CRIPOTIKIN” que eu entendi quando vi que ela tava de colete. Então eu falei “ah foda-se. Quer fazer amor?”. Amor... Quando foi que eu falei desse jeito! Ela concordou com a cabeça e eu puxei minha pistola pra fora aí eu notei que minha pistola tava muito pequena. Parecia a pistola de uma criança... E foi diminuindo, diminuindo. E ela tava lá sentada em alguma coisa com as perna aberta na minha frente. E minha pistola era do tamanho dum rigatone. Inútil. Olhei pra ela, sem jeito e ela me olhou. Não era muito bonita, mas também não era nada feia. E eu lá... Sem pinto. De qualquer forma agarrei ela pela cintura e pensei “vou fuder assim mesmo”, mas quando me aproximei mais ela tinha virado... Olha só que merda. Ela tinha virado uma garrafa de cocacola. E uma garrafa de coca vazia.
-tipo, quando eu parei de escrever poemas, achei que ia arrumar um novo hobby.
-isso quer dizer o que? Que eu me vejo como um idiota sem pinto?
-talvez o skate seja o caminho.
-que eu me acho incapaz de satisfazer uma mulher?
-olha lá! O cara tá pegando uma mina
-será que eles falavam russo porque eu me julgo incapaz de me comunicar com os outros?
-eu comia aquela rabeta fácil
-e porque eu matei o cara que ela tava pegando? Sou um ciumento doente?
-cara quantas coisas tem no mundo além de um skatista suado...
-porra mano eu to muito preocupado com tudo isso. Acho que é um sinal de alguma forma... Minha sanidade me abandonando.
-por exemplo, os poetas!
                Marvin ficou pensativo enquanto o Luiz puxou um bloquinho do bolso e começou a rabiscar nele com uma caneta de propaganda. O skatista ignorava a existência daqueles dois seres bizarros. Tão diferentes um do outro e, até por isso, muito parecidos também.
                Luiz olha para Marvin e começa a declamar:

Gata, Você já notou
Que toda vez que nós
Nos encontramos e estamos a sós
Você fica dançando e dando show?

Tudo isso é muito triste
Pois o escuro não te deixa ver
Meu membro em riste

-o que você achou?- Luiz perguntou
-to achando isso tudo uma merda. To muito confuso.
-também achei meio direto demais. Falta metáfora.
-o que?
-meu poema
-ah tá... Bom, Luiz, já to indo até depois.


                Marvin saiu andando em direção a sua casa e deixou o Luiz lá, procurando a metáfora  necessária, pra amolecer seu membro em riste.

quarta-feira, abril 02, 2014

Fernando

                “Você nem desconfia o motivo deu ficar todos os dias malhando e puxando ferro na academia. É porque quase dez anos atrás você falou assim com desdém “nossa vc é legal mas meu namorado é mias alto e mais forte que você” e agora você vê? Eu cresci. Nunca fui tão forte e tenho quase um metro e oitenta e cinco. Não é daora? Claro que sim. E isso é suficiente pra você? Você parou de correr atrás de quem não se importa com você?
                Não, claro que não. Você continua aí buscando alguma coisa que nunca vai existir. Você sabe de um coisa? Eu existo. Você se lembra disso quando vai dormir?”

- e ela respondeu o que?
-nada. Ficou com cara de cu enquanto eu ia embora.
-que pena. Esse foi um bom sermão. Você podia ser pastor, Moisés... Qualquer merda assim.
                Ele me olhou por um momento e depois se levantou pra jogar um papel no lixo.
-e o pior de tudo é que ela nem sabe meu nome ainda.
-você já falou com ela alguma vez? Digo, quando ela “falou com desdém” ela não se dirgia a você né?
-tava falando com uma amiga. E isso importa?

-não, claro que não. 

sexta-feira, dezembro 27, 2013

FRED

                A língua tela tinha gosto de cigarro mentolado. Ela reclamou que meu lábio tinha gosto de sangue de novo.
                “Toda vez que fica frio e depois quente e depois frio e alguém fica mordendo meus lábios eles sangram um pouco. Minha pele é muito fina.”
                Ela me olhou como se não acreditasse o grande merda que eu era. O grande merda com quem ela tinha passado o dia todo fazendo sei lá o que. Mas também isso pode ter sido minha imaginação.
                “Eu tenho que ir” ela falou e virou o último copo de cerveja. Eu não entendi, mas eu acho que ela falou algo como “me ligue depois”.  Ela então saiu rebolando pela porta e todos os homens olharam pra ela. Ela usava uma saia de couro ou algum material parecido, dava vontade de tirar aquela saia o mais rápido possível. E eu sei que cada homem daquele bar, e até algumas mulheres, pensaram o mesmo que eu pensei.
                Fiquei lá me sentindo o maior merda do universo. Acendi um cigarro e um cara apontou a placa de ‘proibido fumar’ com a maior cara feia. Foda-se você eu pensei enquanto apagava o cigarro.
                Entrou pela porta um cara que eu conhecia muito bem. Seu nome -acho eu- era Fred. Me viu e sentou na minha mesa. Fred era, com certeza, o cara mais lindo da cidade. Ele ficou me olhando com sua cara linda sem dizer nada por sei lá quanto tempo até que falou um simples “oi Marvin”.  Fazia um calor dos diabos e eu esvaziei mais uma cerveja. “e ai Fred?”
                Fred tinha esse problema, apesar de ser o cara mais lindo que todos naquele bar tinham visto, ele não queria ninguém. Ele não era gay, nem era hétero. Não pergunte como um cara daqueles não queria comer ninguém mas era isso que ele sempre me dizia. “porra Marvin eu não acho ninguém que valha um segundo da minha atenção”
                Muito me surpreendia que ele estivesse me dando um minuto de sua atenção, mas eu acho q até caras como o Fred precisam de amigos pra beber às vezes.
                “você acredita em amor?”
                “Marvin, eu acredito no amor. Mas só para os outros, pra mim eu não sei”
                “Ela me disse que eu deveria parar de ler Bukowski e focar nos meus objetivos. Que desse jeito no máximo eu chego até um merda, ao invés do ‘merda-total’ que eu sou hoje”
                “E o que ela sabe sobre qualquer coisa? Ela me lembra meu pai. O velho era um merda e queria dar palpite na merda dos outros. Ei Marvin, não escute as pessoas, elas vão te botar pra baixo se você deixar.”
                “Fred eu realmente duvido que alguém te colocaria pra baixo. Tu parece um modelo de revista, qualquer homem ou mulher só teria elogios pra você. Ainda que você fosse um boçal, o que eu sei que você não é.”
                “Você acha isso, muita gente acha isso. Eu é que não consigo acreditar nessas coisas que você acabou de falar. Sei lá, sou estranho. Rock britânico e depressão acabam impregnando em você.”
                “É cara acho que sim. Você lembra do Luís, sempre confiante escrevendo poemas horríveis? Sumiu, nunca mais ví”
                “uma hora ele aparece pra te ler umas merdas.
                “Te vejo depois, se eu não morrer no caminho.”

                “A filosofia de vida de Marvin é que ele pode morrer a qualquer momento. A tragédia, ele dizia, é que ele não morre”

domingo, maio 05, 2013

Capitulo 1


Uma explosão é o aumento de volume súbito de um substância que, em geral também libera uma enorme quantidade de energia. Normalmente uma explosão libera gases. Explosões acontecem dentro do cano das armas e empurram pequenos pedaços de metal na direção de vidros de bancos. Às vezes as pessoas juntam glicerina, que pode ser extraída de sebo ou gordura, com acido sulfúrico e acido nítrico concentrados e refrigerados abaixo de 30 graus Celsius para fazer nitroglicerina.  Uma calha serve para escoar a água da chuva. Uma calha de alumínio é  a melhor escolha que a modernidade oferece para escoar a água da chuva de seu telhado.
       Exceto quando ela entope.
       O alumínio é um metal extraído da bauxita. O alumínio não enferruja. O que o torna um metal muito indicado para escoar água da chuva. O Brasil extrai toneladas de bauxita, boa parte é exportada bruta para o Canadá, mas muitas outras toneladas de alumínio são produzidas aqui também. Parte do alumínio vira panela, outra parte vira lata de cerveja e uma parte bem menor vira calha.
       O Brasil, ainda assim, produz muitas calhas de alumínio.
       Todas elas estão entupidas.
       Hoje a calha serve para uma coisa diferente de sua rotina como escoadora, hoje a calha é uma ponte. Uma plataforma de trabalho para um vândalo. Um pichador se equilibra em uma calha de alumínio e vai destruindo o patrimônio alheio para criar uma mensagem de amor.

“Kassab vai tomar no...”

       A mensagem ainda não estava pronta por que o braço do pichador não era tão longo assim. E também por que a calha só ia até uma parte daquela parede. Depois havia o nada. Havia o chão 4 metros abaixo dele.
       Não era um pichador de verdade. Só queria mandar uma mensagem para o prefeito que subiu a passagem de ônibus. De novo. Seu nome era Leandro e ele se armou de uma lata de tinta spray e foi pra cima de uma calha, pretendia atacar a cidade como um todo mas só conseguiu sujar aquela casa. Uma rua qualquer Igual a todas as outras. Prefeito nenhum passa ali. O prefeito vai todo dia trabalhar de helicóptero.
       Só a escória, o lixo, se arrasta pelas ruas de São Paulo.  Mesmo assim, São Paulo tem o maior tráfego aéreo do mundo. O prefeito de Nova York vai trabalhar de metro. Leandro vai pra escola de ônibus e a passagem fica cada vez mais cara.
       Uma pichação em uma rua qualquer não ia fazer qualquer diferença pois o prefeito ia de helicóptero. Do alto nada faz diferença. Mas Leandro não sabia disso, nunca tinha voado. Ia de ônibus para a escola assim como seu pai fazia e seu avô fazia antes deles. Algumas coisas nunca mudam. O preço das coisas sempre sobe.
       Faltava coroar a frase com um “cu” quando um Golf preto encostou lá em baixo. Leandro parou de se mexer com medo de ser notado.
       O Golf preto não estava nem ai para Leandro. Tinha uma missão e pretendia cumpri-la. Dois homens saíram dele, mas o motorista ficou e manteve o motor ligado. Os dois homens foram em direção ao banco que ficava do outro lado da rua. Um deles sacou uma pistola prateada e deu três tiros no vidro que separava a rua dos caixas eletrônicos.
       O vidro se transformou em milhões de diamantes que caíram como chuva para todos os lados. Os dois homens entraram e depois saíram correndo de dentro do banco.
O acido sulfúrico serve para fixar a água que se origina na reação do ácido nítrico com a glicerina. Mistura-se a nitroglicerina com a areia ou serragem até que esta fique com consistência de lama. As pessoas colocam então a lama num tubo aberto em uma das pontas, espetam um pavio nesta ponta e depois vendem esta mistura com sob o nome de dinamite.
       O governo brasileiro não tem qualquer controle sobre a venda de explosivos.
       O que os dois homens que saíram do Golf fizeram foi espetar diversas dinamites nos caixas eletrônicos acender o pavio e depois correr para fora do banco.
       O que as dinamites fizeram foi aumentar seu volume subitamente, liberando energia e gases que arrebentaram com o caixa eletrônico. A explosão foi tão forte que dinheiro saiu voando para todos os lados. A expansão da dinamite foi tão grande que a fachada do banco ficou toda destruída.
       Boa parte do dinheiro que caiu no chão foi recolhida pelos dois homens e colocada em mochilas pretas. Boa parte do dinheiro teve que ser abandonada, pois o tempo era curto. A policia sabe ser extremamente eficiente para defender o patrimônio dos banqueiros. Os homens também souberam ser eficientes para recolher o dinheiro, levaram menos de 12 minutos para fazer tudo isso. Mais rápidos que uma trepada.
       Entraram no Golf mais ricos do que saíram e depois foram embora.
       Leandro, de cima da calha observou tudo àquilo sem saber o que fazer. Não sabia se terminava sua obra de arte ou se corria. Aquela não era uma rua comum que ninguém conhecia. Aquela era rua que explodiram o banco.
       Resolveu terminar sua obra de arte e depois correr dali.

“Kassab vai tomar no
Cu”

       Saltou de cima da calha e deu uma olhada dentro do banco. Um buraco gigante tinha sido feito no chão. Os caixas eletrônicos estavam largados com a frente destruída. Estuprados por aquelas bananas de dinamite.
       Lindo.
       Leandro pegou umas notas de 50 que estavam no chão e foi pra casa. As sirenes da policia já eram ouvidas. O prefeito tinha subido a passagem de ônibus. O prefeito ia trabalhar de helicóptero. A policia vinha pronta pro combate, pronta pra matar e morrer pelo dinheiro do banco. O Golf preto já estava longe. Ninguém se importava com o preço do ônibus. Ainda sim, aqueles homens do Golf preto tinham devolvido parte da passagem para Leandro.
       Deus escreve certo por linhas tortas. É o que dizem por ai.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Sonhos e Poemas



            Marvin encontro Luiz em um bar qualquer. Era sábado à noite em campinas. Na verdade era quase domingo, então o bar estava ligeiramente lotado. Uma porção de perdidos fuma cigarros na parte externa. Acendiam um atrás do outro, alguns nem tragavam, outros seguravam no pulmão por tempo demais até começarem a tossir.
            Tem uma espécie de segregação com as pessoas que escolhem ir fodendo seus pulmõezinhos aos poucos. Como se esses fossem 'dalits' ou coisa do tipo. Tem que ficar lá fora na noite fria, fumando o mais rápido possível pra tentar voltar pra mesa antes da história interessante que estão contando acabar..
            No meio de todos aqueles fodedores, Marvin e Luiz estavam sentados. Cada uma com uma cerveja na mão e um monte de merda presa dentro do peito.

-Pois é Marvin a vida não anda fácil pra quem está vivo.
-a vida não tá fácil nem pra quem tá morto.
-oi?
-você embaixo da terra sendo comido por um monte de vermes. Imagina? Vermes no se u cérebro, subindo pelos seus intestinos. Comendo aquilo que é só seu. Sua merda coisa e tal.
-vejo que você tá tão na bad quanto eu.
-sempre
-isso é bom. Ter com quem compartilhar.
-acho que sim
-cara eu mandei um poema meu pra porra duma revista.

            Luiz se dizia escritor. Escrevia péssimos poemas e contos horríveis. Mas fazia questão que todos lessem seu blog. “comenta lá nesse poema que eu escrevi sobre os fiapos do meu umbigo”

-e ae?
-bom, nem foi publicado.
-que merda

            Cada um tomou um gole da cerveja.

-outro dia eu tive um sonho.
-era um bom poema.
-um sonho bizarríssimo...
-acho que todo mundo teria gostado se tivesse sido publicado.
-eu sonhei com essa amiga nossa do tempo de escola. Lembra dela? A Júlia?
-uma vez eu escrevi um poema sobre a Júlia
-gostosissíma.
-mas acho que nem cheguei a mandar esse pra ninguém.
-belos peitos.
-mas aquele que eu mandei era realmente bom.
-então. Meu sonho com ela...
-as vezes eu tento imaginar se os grandes também eram ignorados em seu tempo.
-bizarríssimo!
-os grandes?
-o sonho.
-ah!.

            Marvin tomou um gole da cerveja do Luiz já que a dele estava seca.

-foi assim, no sonho, era de manha cedo. E a gente tava na escola. E ai a Júlia chegou. Comendo um croissant enorme. Do tamanho de uma baguete eu acho. Do tamanho da porra de um braço. Um braço de criança de presunto e queijo. Um verdadeiro estouro. E ela foi comendo aquela coisa enorme, colocando quase metade do croissant na boca só pra depois tirar e morder a pontinha. Eu não sei como tudo aquilo cabia na boca dela, mas eu estava tentado a descobrir. Então eu falei pra ele “uau Júlia, eu não sei como você engole tudo isso mas eu realmente queria que você me mostrasse o que mais você sabe fazer!” e ela respondeu que podia me mostrar mais tarde. Cara. Foi daora. Aí meu outro amigo apareceu do nada e gritou “cara ela tá tããããão na sua”. De repente tudo ficou escuro e acho que já era de noite por que eu já podia ver a lua no ceu. Toda branca, toda redonda. E a Júlia apareceu vestida de militar russa e me mandou fazer milhões de flexões enquanto gritava “ta vendo o que mais eu sei fazer? Eu sei mandar uns viados à merda. Mais 50 flexões seu bunda mole do caralho!”. Achei que ia ser uma porra dum sonho sexual mas nem foi.
-diabos.
-o que?
-que merda que não publicaram meu poema.
-o que isso quer dizer afinal?
-que não estão prontos para minha genialidade.
-será que isso é uma vontade inconsciente de ser dominado? De levar no rabo?
-acho que estou com o poema aqui
-será que estou virando gay? Me ajude Luiz!
-aqui- meteu a mão no bolso- vou ler um negócio pra você que vai fazer você se sentir melhor.

            Se levantou e  ficou uns dois passos distante, pra que mais gente pudesse ser abençoado com seus lindos versinhos. Pôs uma mão no peito e sai declamando:

-------------------------------- 
Você ouve os outros gritando
Mas ninguém nunca te ouve conversando!
Tenho um headbanger  dentro do meu peito!
Que chuta e pula pra vadia nenhuma
Botar defeito!
Me conta como é ser um clandestino
Que vaga pelos corações assim sem destino?

Me conta como é correr de medo
Toda vez que
Você ouve os outros gritando...
Mas ninguém nunca te ouve conversando!

Outro dia fui até teu apartamento
Ouvi alguém, uma puta,
Gritando lá dentro

Fui embora sem nem bater na porta!
Fui-me embora e na padaria
Saqueei uma torta
--------------------------------
            Ninguém deu a  mínima.

-o que achou?
-acho que estou perdendo o juízo.
-todos estão. Esse poema é ouro puro! Tem que ser um desajuizado pra ignorar essa porra!
            Luiz levantou e foi andando em direção à porta. Marvin acendeu um cigarro com uma certa indecisão: não sabia se era só um cigarro ou se era mais um símbolo fálico que punha na boca.

quinta-feira, março 08, 2012

Feliz dia da Mulher


Era uma quinta-feira. Dia 8 do 3 de 2012. Cheguei em casa apurado (apertado, constipado). Entrei no banheiro e já fui tirando a roupa. Primeiro tirei a calça mesmo, parte essencial quando uma pessoa pretende defecar (cagar, escorregar um moreno, poluir). Depois já fui arriando as cuecas e sentei na privada. Desde que eu era bem pequeno, sete ou seis anos, eu gostava de cagar pelado mesmo.        
                A maioria das pessoas tem problemas pra cagar fora de casa. Principalmente em banheiro publico. Eu não cagava em banheiro publico por que é fisicamente impossível cagar pelado na escola (já tentei, é difícil). Antes de quere ser escritor, antes mesmo de torcer pro Corinthians eu já gostava de cagar pelado.
                Pois então tirei também a camiseta, acomodei minha bunda murcha do melhor jeito possível e me preparei. Outro fato interessante sobre a minha pessoa: ainda que você ache uma poltrona o lugar mais confortável do mundo, eu acho que a privada é o assento mais confortável do mundo. Não sei bem se é por causa da ventilação extra nos países baixos, ou se é pela abertura em um ângulo perfeito que só uma privada pode proporcionar à essa minha bunda cheia de pelos.
                Nesse dia eu não consegui cagar. Mais ainda, nesse dia sentar no trono era extremamente desconfortável. No começo eu achei que era por que eu tentava cagar numa quinta-feira. Eu odeio quinta-feira. Sei que não sou o único que tem essa sensação, leia o Guia do mochileiro das galáxias.
                Mas, pasmem, não era isso. Acho que a minha retaguarda já sentia o que estava por vir. A região anal é, de longe, o melhor meio de prever o futuro. Se você vê um sujeito mal encarado andando na rua, a noite, e seu cu fico fechadinho... pode ter certeza que coisa boa não é. Sinto que minhas metáforas estão ficando cada vez piores, mas pode ser apenas impressão minha.
                Meu celular, no bolso  da minha calça, começou a tocar. Depois de lutar ao som de “nokia tunes” contra o bolso da calça, que não queria liberar meu celular, eu finalmente atendi.
-oi
-Marvin?
-eu                                  
-é sua prima Josefine.
-e aí
                Minha prima Josefine sempre foi um pé no saco. Ela é uns 4 anos mais nova que eu e sempre me chamava pra dormir na casa dela e pra conhecer as amigas mais-novas-e-cheias-de-espinhas-dela.
-nossa, eu tenho que te dizer uma coisa...
-diga.
                Meio que dei uma gemida por causa da força que fazia em paralelo à minha conversa com Josefine. Acontece.
-então... É que... Não me odeie...
-fala
                Ela desligou.
                Eu pensei: “um problema a menos, agora só falta dar aquela escorregada”
                O telefone tocou.
-não me odeie Marvin.
-fala de uma vez! (outro gemido)
-é que... Tem essa coisa, muito ruim... Eu não sei o que dizer
-tenta aí
-promete que não vai ficar bravo?
-(fazendo força pra cagar) prometo
-é que eu me apaixonei pela pessoa errada...

                Essa é uma das coisas mais controversas da vida... Será que a gente não manda MESMO no “coração”?

-que merda ein

(longo silêncio)

-diz o que você acha
-acho uma merda
-você sabe de quem eu to falando pelo menos?
-do “X”?
-não, Marvin... Você não entende não é?
-se você não falar exatamente o que eu preciso entender fica difícil.
-em me apaixonei pela pessoa errada....
-isso não é uma letra de musica??
-MARVIN
-que?
-você
-eu?
-logo eu?
-sim...
-você, pelo menos tá... Ouvindo o que tá me dizendo?
-eu to te dizendo...
-quer dizer, você percebe a loucura...
-loucura por quê?
-como “por quê”? Você é minha prima porra!
-e você acha que eu não sei? Você acha que eu não pensei sobre isso já? O quanto isso é ruim?
-se você tivesse pensado não taria por aí dizendo sandices!
-san-que?
-nada...
(longo silencio constrangedor, minha barriga ainda doía mas, cagar já não era a prioridade)
-e então?
-então o que Josefine? O que você quer que eu fale?
-eu quero que você me entenda!
-mano, eu te entendo... Eu entendo que você tá ficando louca
-louca por quê?!
- porque você tirou isso do nada? Logo agora? (na hora que eu to cagando)
-Não foi do nada, já faz muito tempo que eu sinto isso... É uma coisa que eu sei... Faz muito tempo...
-eu não sei o que dizer... Até sei... Esqueça isso!
-não dá! Você deve saber como é... Pensar numa pessoa o tempo todo, antes de dormir, o tempo todo... Toda hora... Eu sei o que eu to sentindo! Eu to sentindo é AMO...
-NÃO DIGA ESSA PALAVRA!
-AMOR!
-e o que você sabe de amor?! Na sua idade as pessoas brincam de boneca mano!
-eu sei! Eu sou uma mulher e...
-você tem 14 anos... Você não sabe nada de amor
-eu sei o que eu sinto... Você acha que eu não tentei de esquece? Fiquei um ano... Mais de um ano só tentando esquecer isso. Você acha que eu não sei o quanto isso é complicado? A gente é primo de primeiro grau...
-então você percebe a loucura do que tá dizendo?
-não é loucura! É amor!
-E o que diabo você quer que eu faça?
-quero que você me entenda!
-certo...
- você deve tá me achando uma boba... Uma idiota... Não deveria ter falado isso! Agora vai ser tudo diferente.
-mano... E como você quer... O que... EU NÃO SEI NEM O QUE DIZER.
-é você não sabe mesmo... (sarcástica)
-e o que você QUER que eu faça? Que eu vá até aí e fale “Josefine! Casa comigo que eu te amo”?
-não! Claro que não
-então?
-já falei que eu quero que você me entenda!

                Naquele momento eu só queria que minha vô tivesse abortado meu tio ainda no estado de mórula. Só pra não estar tendo aquela conversa. Falo mesmo.

-eu já falei que entendo... Mas eu quero que VOCÊ entenda que isso não faz sentido algum... Que é loucura... Que não vai rolar... Essas coisas...
-é não... Você não me entende por que você não tá dando a mínima...
-olha, amanha... Não amanha, daqui a 24 horas... Mas num futuro... Você vai ver a loucura que tá falando e vai concordar comigo... Até lá, você precisa esquecer... PRECISA.

-tá bom Marvin. (extremamente seca)
-é isso aí mano.
-então tá... até domingo.

                Desliguei o celular. De repente comecei a cagar... Consegui.

Sinceramente, o que estão dando de comer pra essas crianças? Será culpa da famigerada televisão brasileira? Será que é falta de palmada, modismo, excesso de açúcar no sangue? Juro que não sei... Outra quinta que acabou terrivelmente mal.
Queria dizer que foi simples como nesse texto mal escrito... Mas foram 28 minutos no celular, que eu resumi bastante!

Pelo menos acho que eu nunca caguei tanto, e tão bem... uma merda de dia isso sim!

terça-feira, janeiro 24, 2012

A


Era uma quinta feira.  Eu tava de bobeira, matando aula no cursinho, quando meu celular tocou.
-Alô
-Marvin?
- Eu mesmo...
- Aqui é a M.
                M era uma amiga minha de infância que de vez em nunca me ligava e me chamava pra sair, como amigos. Era, e as vezes ainda é, uma das minhas 8475611 paixões platônicas .
- E aí? Que que tá pegando?
                Eu sempre falava alguma coisa idiota com ela. Acho que ficava um tanto nervoso.
- Então, hoje a noite, vem aqui em casa...
- Ok...
- Traz seu narguilé que o chá eu tenho.

                Eu olhei pro céu e falei “obrigado deus que eu não sei se existe”. Era hoje que eu ia pegar minha paixonite de infância e coisa e tal. Nós dois sozinhos na casa dela conversa vai conversa vem, fuque fuque nhéque nhéque. Algumas horas de diversão. SWEET LOVE ALL NIGHT LONG STYLE.
                Não preciso nem falar que fiquei as ultimas duas aulas pensando em como eu ia me dar beem essa noite. Quem tinha tempo pra matemática? Quando a futura mãe do seus filhos, que podem vir a ser concebidos ainda hoje, te espera de braços abertos (e pernas também) para o amor.
                Terminada a aula eu fui até a minha casa peguei o narguilé, troquei de camisa e peguei aquela pacote velho, meio amassado, que tinha comprado quase um ano antes. Sim, um pacote de camisinhas, sou um rapaz prevenido. Não quero ter herpes, ou coisa pior. Tinha comprado aquilo por que esperava me dar bem numa situação semelhante. Se ao menos eu me lembrasse de como aquilo tinha terminado (acabei a noite na mão, literalmente) talvez tivesse ficado em casa numa boa.
                Fui até a casa dela e toquei a campainha. A mãe dela atendeu.
- Marvin! Quanto tempo menino, você cresceu... entra entra a M tá lá em cima no quarto dela.
                Eu achei que ia ficar só com a M. acontece que a mãe e o irmão dela também estavam na casa
- E ai Marvin, senta ai que eu já to preparando.
                Ela tava sentada em cima da cama, preparando.
- Outro dia eu fui com esse cara, meio hippie, num lugar aqui em campinas que tem tipo, grande ocorrência de OVNIS é bem legal
- É mesmo.
- Depois ele abriu um pacore e tirou um camarão de lá de dentro... a gente dichavou e fumou lá mesmo, foi tipo, nossa, transcendental.
- Imagino. Não sabia que sua mãe ia estar aqui hoje, é de boa fumar aqui?
- É só soltar na janela.
                Ela ficou me falando de umas coisas que tava “estudando” sobre alquimia, quatro elementos, humores aristotélicos e mais um monte dessas babaquices. Depois ela trancou a porta e abriu a janela. Terminou de lamber a seda e me passou pra que eu admirasse sua obra de arte. Tem gente que pinta quadros e tem gente que finje que escreve poesia (eu). M enrolava.
                Olhei pra aquele beck meio babado pensando que aquilo era o mais próximo de um beijo que ei ia ter naquela noite.
                Ainda sim foi uma boa noite, engraçada por conta dos alteradores de consciência e de um modo geral cheia de papos acalorados sobre  qualquer coisa. Por volta das onze da noite eu achei que deveria ir embora. Falei que não ia chamar meu pai pra me buscar, uma que morava a menos de 1 quilometro da casa dela, duas que eu sempre gostei de andar.
                Era uma noite clara, em parte por causa dos postes de luz amarela em parte por causa da lua gigante e também amarela como um queijão gigante pendurado no céu. Um gol daqueles velhos quadrados com insulfilme preto (o popular chaveado) passou bem devagar por mim. Meu sentido de aranha me disse que era uma boa idéia sair correndo por ali, mas correr de um carro não é muito inteligente.
                O carro passou e foi embora, dobrando a esquina. Relaxei.
                Quando dobrei a mesma esquina, quase chegando em casa, o gol estava parado junto do meio fio. Dois homens do lado de fora. “Morri” pensei. Agarrei a caixinha do narguilé com mais força e continuei andando, não tinha por onde mais ir. Passei sem olhar para os caras como se isso fosse me tornar invisível.
-Ei mano
                Disse um deles. Me virei devagar esperando ver um canhão na mão de um deles.
- Ce derrubou isso.
                O cara segurava um papelzinho. Tinha o nome de algumas bandas que M tinha recomendado, nada demais
- Brigado aí
                Me virei me sentindo muito mal, como podia ter pensado besteira daquele cara? Um moço gentil que me devolveu o papel e, afinal, esse negocio de gentileza é muito legal...
- Ei mano
- Que?
                Agora sim, ele tinha um canhão na mão.
- O que tem na caixa?
- É meu narguilé velho...
- Passa
                Passei. O que eu podia fazer?
- Agora vaza.
                Vazei... E cheguei em casa uns 5 minutos depois. O susto tinha me deixado completamente sóbrio. Que diabo de noite furada...

sexta-feira, janeiro 13, 2012

A Úlcera de Bauru



Já fazia um tempo que eu tava meio que apaixonado por essa menina. Porra como não estar né? Ela tinha um piercing no nariz, gostava de rock e tinha uma bunda ajeitada... porra como não me apaixonar.
Acontece que com essas menininhas do movimento udigrúdi de campinas você nunca sabe o que esperar, num dia elas tão dando voltinhas pelo dompas, no outro elas tão grávidas morando com algum cara de comunidade. Ces’t la vie. “po mas é que essas pessoas são meio perdidas na vida Ed. Tipo elas são de outra classe social e tudo...” me dizia minha amiga igualmente perdida na vida que tomava ácido 3 vezes por semana.
Enfim... teve esse dia que eu me encontrei com ela...

- e aí...
-e aí ed (os udigrúdi me chamavam de Ed)
-te trouxe chocolate...
- AAAAAAH EU AMO CHOCOLATE! CARALHO!
-é eu sei...

Quando ela terminou de comer o chocolate ela disse.

-tá afim de ir nu show do cueio limão?
-cueio o que?
-é uma banda seu bobo
-claro claro por que não?
-óooooooootimo.... assim você conhece o uísque
-mina fala português....
-o uísquezito
-aquele cara que taá sempre no dompas?
-sim
-e por que eu ia querer conhecer ele?
-a gente meio que tá namorando... ele é tão fofo...
-ah isso é legal...
-outro dia ele me falou a coisa mais fofa... ele disse “no começo eu nem ligava muito pra você mas, agora parece que eu to viciado em você”

Whaaaaaaaa?

-Ah isso é bonito mesmo, nossa olha a hora já vou indo

                Porra, eu um aspirante a poeta escrevendo poesias enormes pensando em você e você cai por um papinho de “to viciado em você”... que merda ein. Depois disso ela se mudou pra bauru, e eu nunca mais ví... que diabo! que diabo! A mina me coloca na friendzone por um idiota que não sabe nem falar de amor.

A vadia nem deve lembrar o meu nome.

                Depois disso eu realmente me aposentei desse negócio de tentar alguma coisa com as udigrúdi, é sempre uma pressão. Elas querem ser mais fodas que você. Competem por tudo: quem usa mais droga, quem pega mais mulher (e elas sempre dizem “já peguei mais mulher que você”), quem vai em mais show...
                Não é uma coisa natural entende? Larguei por que, naquele grupo, eu era MESMO superior a todos eles...nao ficava nessas de ver quem é mais fodinha. Meu tempo é precioso demais pra ficar gastando com essas pessoas que assistem Skins e depois saem se achando o Sid Vicious... Nem Sid andaria com eles!
                

Que Bauru queime!

domingo, novembro 20, 2011

Reencontro

então como tá, tudo tudo certinho?
tudo tudo...
que bom né...
sóóóó
....
..
..
...
...
e aí tudo certo também?
acho que sim, acho que sim...
cool
ééé
então tá, me liga qualquer dia?
ligo sim, ainda é o memso número?
é é
óquei!
demoro
até a próxima...

ela foi andando enquanto a porta do elevador fechava e eu ficava preso naquele elevador. como é bom encontrar velhos amigos!


sexta-feira, outubro 07, 2011

Uma Terça Qualquer


Eu tava sentado numa cadeira mandando mensagem pelo celular. Ela veio e encostou na parede em frente a porta do banheiro e ficou lá olhando o nada. Teve uma hora que eu olhei pra Ela e Ela olhou pra mim e nossos olhos se cruzaram. Acho que eu vi a alma dela. 

-Mensagem enviada-

Fiquei ali sentado mais um tempo olhando uma mosquinha que voava por ali, até que eu levantei e fui até Ela. E disse "sabe, faz um tempo  que to te vendo aí parada então eu tava pensando, sabe que tem outro banheiro lá em cima" eu apontava a escada.
"Vai se foder Marvin" eu sorri e Ela fechou a cara
"Você sempre diz merda na hora errada e eu odeio isso" Ela virou a cara e continuou "eu odeio você"
Meu celular começou a vibrar, mas eu achei que era melhor ver a mensagem mais tarde.
"Só queria te dizer que não precisa ficar aí com cara de idiota esperando alguém, que tá aí faz uma era. deve tar cagando...”.
"Porque você nunca falou comigo?"
"Sabe como é, nunca teve uma oportunidade...”.
"É porque você é um idiota viado" Meu celular vibrou de novo.
"Um viado, eu passava do seu lado todo dia e você nem pra falar oi."
"Sabe como é, eu sou meio tímido" Ela olhou pra cima e disse que era melhor eu ir embora. Eu disse que ia, e fui mesmo. Olhei pra trás enquanto andava e era tudo diferente, já não tinha espaço pra mim naquela vida.
Ela casaria, trabalharia, teria dois filhos, viajaria pra Europa e reclamaria da antipatia dos franceses, da grosseria portuguesa, voltaria e compraria um Hyundai. Pagaria professor particular de matemática pra um dos filhos, e eles cresceriam e teriam outros filhos que iam crescer e ter outros filhos. Logo todos morreriam e todas as historias que traziam seria esquecidas.

Enquanto isso eu ficaria sentado numa cadeira mandando mensagem pelo celular.

segunda-feira, agosto 22, 2011


Música   
Fiquei outro dia lembrando
Do vento e do seu cabelo balançando  
De como eu gostava de ficar 
Sentado do seu lado só escutando
 
É difícil perceber que poderia ter sido 
E que eu estraguei tudo por não ter tentado 
Mas quem sabe como seria se eu tivesse  
Tivesse pedido?
 
Me restam lembranças  
Quase todas boas  
Do curto tempo que passamos 
Na sua casa ou na minha 
Das vezes que te deixei ganhar no vídeo game
 
Da música que eu falei que ia te passar 
E depois não falamos mais nisso 
Do cheiro que tinha seu cabelo 
E da risada que você dava 
 
E de como seu cabelo balançava 
E de como parecia que você me entendia  
Apesar do meu jeito de bobo 
 
Agora só me resta uma nostalgia 
E uma tristeza que aperta aqui no peito 
Quando escuto aquela música  
E quando penso que te vi passar 
Na minha vida  
Pra não mais voltar