sexta-feira, dezembro 14, 2012

14222012


Alimente as ilusões
Estabeleça um padrão.
No final ninguém nunca sabe o que
É perfeição

Esse poema tá infame
O violão é desafinado
A cachaça tá descendo que nem arame
E esse fumo tá meio molhado

Outro dia me vieram com um papinho...
Mas eu não lembro de quase nada
Só uma ou outra palavra
Que eu apago aos pouquinhos
Com um copo ou numa tapada

É tanta coisa estranha que eu
Tenho sentido aqui dentro
Todo dia acordo e sinto que fudeu
Às vezes acho que não me aguento

Sinto que tem gente tentando me sabotar
Tomando minha água no verão
Roubando minha poupança pros dias que virão
Escondendo meus óculos e roubando meu celular

E eu aqui anestesiado
Deitado com a barriga pra cima
Questionando a minha
Capacidade de dar meu braço a torcer
E de continuar sem partir pra rinha

segunda-feira, dezembro 10, 2012

10122012


Você sabe o que é frustração?
Não saber o que falar
Que ação tomar?

Vou ficar sem fumar até janeiro

Todo mundo te acusa de alguma coisa
E você só pensa: “moça!
Eu só estou fazendo meu trabalho!”
Tem uns que fazem e outros que aplaudem

Que dia é hoje?
Vou ficar sem fumar até a hora do almoço então?

Um milhão de poeminhas escritos em honra
Da escuridão. Mas quem vai nos lembrar que somos
Velhos nesse mundo feito de gente nova
E de gente idiota demais até pra mim?

Que horas são?
Alguém tem um isqueiro aí?

domingo, dezembro 02, 2012

12112012 V



Nossos filhos levam
O nome de todas as fantasias que
Cultivei em anos de fracassos
Em quase décadas de pecados
E sonhos vazios.

Fui induzido ao erro de te amar

Como a abelha que é atraída
Pela doçura da flor, leva a semente e
O pólen da mentirosa por aí.

Levei sua mentira
Comigo
Assim como levo
Um monte de choro
Engolido.

Oh céus! Que viver já é um desgosto
Com um monte de tetudos
Que lotam os barzinhos e as
Filas do cemitério

Mas é na mediocridade que eu acho o gozo!

terça-feira, novembro 27, 2012

Bolsa Escrotal


vo meter o louco agora
dormindo como um bebê
apesar tudo aqui que me fez sofrê
pois que coisa bonita
da até gosto de vê
fica muito legal quando nois rima
para tente para de sofre
mas a vida é uma poesia
que fala sobre fezes espacial
como eu queria estar de férias coçando minha bolsa escrotal

Babuino Editor & Marvin Trêsoitaum

quarta-feira, novembro 21, 2012

Manda Brasa

sentei nesse dia e escrevi um monte de porcaria. mandei só as menos piores. na verdade é um exercício interessante simplesmente se forçar a escrever. vou fazer mais disso nas ferias.

12112012 - IV


Vejo um bando de malucos
Vestindo camisetas e
 Reclamando do peito branco
Que nunca viu a cara do sol

Outro dia te vi comentando
Alguma coisa com sua amiga

“olha que sujeito esquisito!
Anda bem no meio da rua
E uma meia está esticada
Mais ou menos até a cintura”

Eu não entendi na hora...
E ainda não entendo
Alguém, cheio de poder,
Vem me pedir tributo
Como uma puta ou
Um policial corrupto

Cansei de economizar xingamentos!
Quero seu mel na minha carne crua
Mas, faço qualquer rima e você aplaude.
Se valoriza mulher!

E peço pra deus, o rei da porra toda,
Que as bocas se calem e parem de ejacular opiniões
E a loucura me ocorra 

quinta-feira, novembro 15, 2012

12112012-I


Dessa noite já não espero mais nada
Guardar os sonhos
E empurrar meus medos da escada
Alguém vem tentando me
Contar os sonhos que teve...
E depois reclamou por que precisei
Descansar os olhos por um momento

Ora, entenda
Tenho dormido tão pouco
E tentado tanto
Que fico sem tempo para
Seu lamento.

E essas palavras escrevo
Só por escrever
Na esperança de ninguém
Nunca ler

Pois os sentimentos estão
Por demais desgastados
Largados no chão
Vazios como que chupados,
Enrugados e reciclados.

12112012-II


Está marcado na pele
E no fundo dos olhos
Daqueles que amam, mas
Nunca vão atrás

Coisa estranha:
Os meus dedos se acendem
Para que eu possa contemplar o breu
Dessa exitência. Ardem
Meus ouvidos quando questiono
Essa sua duvidosa ausência.

Até quando
Deus
Até quando?

Queria ter as certezas dos
Que me cercam mas, a
Única certeza que tenho é
Que se saltar por uma
Janela e por ventura
Errar a queda vou sair
A voar como um balão de ar.

Fazer sombra no banho de sol
Daqueles gordos tetudos que
Buscam o remédio no consumo,
Como eu busco a gratidão de um
Milhão de putas escusas.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Sonhos e Poemas



            Marvin encontro Luiz em um bar qualquer. Era sábado à noite em campinas. Na verdade era quase domingo, então o bar estava ligeiramente lotado. Uma porção de perdidos fuma cigarros na parte externa. Acendiam um atrás do outro, alguns nem tragavam, outros seguravam no pulmão por tempo demais até começarem a tossir.
            Tem uma espécie de segregação com as pessoas que escolhem ir fodendo seus pulmõezinhos aos poucos. Como se esses fossem 'dalits' ou coisa do tipo. Tem que ficar lá fora na noite fria, fumando o mais rápido possível pra tentar voltar pra mesa antes da história interessante que estão contando acabar..
            No meio de todos aqueles fodedores, Marvin e Luiz estavam sentados. Cada uma com uma cerveja na mão e um monte de merda presa dentro do peito.

-Pois é Marvin a vida não anda fácil pra quem está vivo.
-a vida não tá fácil nem pra quem tá morto.
-oi?
-você embaixo da terra sendo comido por um monte de vermes. Imagina? Vermes no se u cérebro, subindo pelos seus intestinos. Comendo aquilo que é só seu. Sua merda coisa e tal.
-vejo que você tá tão na bad quanto eu.
-sempre
-isso é bom. Ter com quem compartilhar.
-acho que sim
-cara eu mandei um poema meu pra porra duma revista.

            Luiz se dizia escritor. Escrevia péssimos poemas e contos horríveis. Mas fazia questão que todos lessem seu blog. “comenta lá nesse poema que eu escrevi sobre os fiapos do meu umbigo”

-e ae?
-bom, nem foi publicado.
-que merda

            Cada um tomou um gole da cerveja.

-outro dia eu tive um sonho.
-era um bom poema.
-um sonho bizarríssimo...
-acho que todo mundo teria gostado se tivesse sido publicado.
-eu sonhei com essa amiga nossa do tempo de escola. Lembra dela? A Júlia?
-uma vez eu escrevi um poema sobre a Júlia
-gostosissíma.
-mas acho que nem cheguei a mandar esse pra ninguém.
-belos peitos.
-mas aquele que eu mandei era realmente bom.
-então. Meu sonho com ela...
-as vezes eu tento imaginar se os grandes também eram ignorados em seu tempo.
-bizarríssimo!
-os grandes?
-o sonho.
-ah!.

            Marvin tomou um gole da cerveja do Luiz já que a dele estava seca.

-foi assim, no sonho, era de manha cedo. E a gente tava na escola. E ai a Júlia chegou. Comendo um croissant enorme. Do tamanho de uma baguete eu acho. Do tamanho da porra de um braço. Um braço de criança de presunto e queijo. Um verdadeiro estouro. E ela foi comendo aquela coisa enorme, colocando quase metade do croissant na boca só pra depois tirar e morder a pontinha. Eu não sei como tudo aquilo cabia na boca dela, mas eu estava tentado a descobrir. Então eu falei pra ele “uau Júlia, eu não sei como você engole tudo isso mas eu realmente queria que você me mostrasse o que mais você sabe fazer!” e ela respondeu que podia me mostrar mais tarde. Cara. Foi daora. Aí meu outro amigo apareceu do nada e gritou “cara ela tá tããããão na sua”. De repente tudo ficou escuro e acho que já era de noite por que eu já podia ver a lua no ceu. Toda branca, toda redonda. E a Júlia apareceu vestida de militar russa e me mandou fazer milhões de flexões enquanto gritava “ta vendo o que mais eu sei fazer? Eu sei mandar uns viados à merda. Mais 50 flexões seu bunda mole do caralho!”. Achei que ia ser uma porra dum sonho sexual mas nem foi.
-diabos.
-o que?
-que merda que não publicaram meu poema.
-o que isso quer dizer afinal?
-que não estão prontos para minha genialidade.
-será que isso é uma vontade inconsciente de ser dominado? De levar no rabo?
-acho que estou com o poema aqui
-será que estou virando gay? Me ajude Luiz!
-aqui- meteu a mão no bolso- vou ler um negócio pra você que vai fazer você se sentir melhor.

            Se levantou e  ficou uns dois passos distante, pra que mais gente pudesse ser abençoado com seus lindos versinhos. Pôs uma mão no peito e sai declamando:

-------------------------------- 
Você ouve os outros gritando
Mas ninguém nunca te ouve conversando!
Tenho um headbanger  dentro do meu peito!
Que chuta e pula pra vadia nenhuma
Botar defeito!
Me conta como é ser um clandestino
Que vaga pelos corações assim sem destino?

Me conta como é correr de medo
Toda vez que
Você ouve os outros gritando...
Mas ninguém nunca te ouve conversando!

Outro dia fui até teu apartamento
Ouvi alguém, uma puta,
Gritando lá dentro

Fui embora sem nem bater na porta!
Fui-me embora e na padaria
Saqueei uma torta
--------------------------------
            Ninguém deu a  mínima.

-o que achou?
-acho que estou perdendo o juízo.
-todos estão. Esse poema é ouro puro! Tem que ser um desajuizado pra ignorar essa porra!
            Luiz levantou e foi andando em direção à porta. Marvin acendeu um cigarro com uma certa indecisão: não sabia se era só um cigarro ou se era mais um símbolo fálico que punha na boca.

quinta-feira, novembro 01, 2012

31102012


Tenho tantas dúvidas
Pra suas respostas prontas
Meus ouvidos estão
 surdos para suas súplicas

Você ignora nossas vontades
Mas arrasta multidões ao dizer
Que é santa essa luminescência
Ainda que sem nenhuma
Consciência

Enche a boca na hora de odiar
Mas insiste em dizer que o
Homem foi feito pra amar.

Esconda seus pecados,
Cozinhando-os numa fogueira qualquer
E chora miséria no colo de
Alguma mulher.

quinta-feira, outubro 25, 2012

23102012


Mais um troféu lustrado de uma noite falhada.
Um monte de gente esperando ao pé da escada

Luzes, música
E um monte de palavras rústicas
Formam um antiquário perfeito
Uma estante de segredos
Nessa vida a gente só quer ser aceito.

Então você diz que amanhã a noite
Nos dois nos livraremos desse açoite
Que amanhã a noite
Enfim dominaremos o mundo também

Mas o amanhã nunca vem
Só domino um mundo sem ninguém
E o amanhã nunca vem.

terça-feira, outubro 23, 2012

Exatas


Aquele era um ano bem difícil pra mim. Cursinho é uma das melhores e piores coisas que se pode fazer. Por um lado a sensação de matar aula pra ficar o dia inteiro na casa da sua amiga é muito legal, por outro ficar com peso na consciência por causa disso não é tão bom.
                Eu tinha acabado de entrar na sala quando meu celular vibrou.
“então o que você está fazendo?”
“nossa, nada. Esperando o professor pra mais um dia zuado”
“que merda.”
“pois é”
                Ficamos um tempo em silêncio. Fazia um lindo dia lá fora, alguns passarinhos cantavam e um monte de gente seguia pro ponto de ônibus.
“o que você vai fazer?”
“não sei ainda. Acho que vou passar o dia deitada.”
“isso é bom. Faz tanto tempo que não fico o dia inteiro assim”
“porra vem pra cá então”
                Sai pela porta andando devagar, cruzei com o professor e nossos olhos se encontraram. Foda-se tudo quando alguém te chama pra fazer algo melhor. Ou simplesmente não fazer nada. A vida é muito curta né? Mesmo que às vezes, quando você ta sentado lá pensando pra onde está indo, de onde veio e blá blá ela pareça longa demais. Divago.
                Fui direto pro ponto de ônibus mas não conseguia lembrar de jeito nenhum qual deles eu deveria pegar. Perguntei pra uma mulher do meu lado e ele nunca tinha ouvido falar daquele bairro. Peguei o primeiro ônibus que dizia shopping dom Pedro, decidi que ia andar a partir dali. Andar nunca fez mal pra ninguém.
                Por sorte o ônibus passou na rua de trás da casa dela. Desci e fui andando. Procurei meus cigarros no bolso, mas achei que não ia dar tempo pra fumar, então guardei eles no bolso de novo.
                 Ela atendeu a porta e já me deu uma cerveja, gelada, como o coração das meninas que eu tinha conhecido até então, e me disse pra entrar. Parecia que a mãe dela não aparecia lá há semanas por que a casa estava uma bagunça. Tinha até um sapato em cima da mesa de jantar.
“então, sua mãe está em casa?”
“ela vem e vai o tempo todo. Mas ultimamente acho que está morando com o namorado dela”
                 Ela me deu mais uma cerveja e jogou a outra num canto qualquer. Também tinham algumas latas em cima da televisão. Tomei um gole e depois olhei pra ela. Me perguntei por um momento se eu devia fazer alguma coisa. Não precisei decidir, ela se aproximou e me beijou. Primeiro no rosto, e depois na boca.
                A manhã estava começando a ficar boa.

“porra eu estou cansado.”
                Me sentei na cama procurando a minha camisa.
“muita diversão?”
“andei pra caramba pra chegar até aqui. Não sabia qual ônibus pegar então eu desci no dom Pedro." menti mesmo, na cara dura. Só pra  verse ela ia ficar com dó de mim.
“sabe que tem um ônibus que passa na rua de trás?”
“bom, agora eu sei. Da próxima vez eu não vou ficar tão cansado”
“eu acho que não vai ter uma próxima vez”
                Eu dei uma engasgada pois estava no meio de um gole de cerveja.
“bom, eu ia te falar antes mas achei que você ia ficar todo meloso. Então resolvi só aproveitar o momento.”
“acho que foi uma boa ideia”
“é.... Então. Não é nada sobre você, é só que eu vou morar com meu pai...”
“nossa você está me trocando por um homem que tem idade para ser seu pai!”
                Ela me olhou de um jeito que dizia “não faça piada com a minha cara”
“brincadeira. Mas eu acho que... olha eu só posso dizer que eu quero que você seja feliz não importa onde seja... digo, eu não sou muito bom em dizer coisas, nem com despedidas. Acho que eu simplesmente vou embora. Qualquer dia nos nos encontramos... “
“nessa vida ou na próxima”
                Matei minha cerveja antes de dizer:
“você e essas merdas que você fala!”
                Sai da casa dela e fui direto pra casa. Não ia conseguir chegar no horário da aula de química. Afinal quimica é sempre o que fode com as coisa que deveriam ser só físicas. Você quer só o bom e velho atrito, mas seu coração reage de forma totalmente imprevisível.

sexta-feira, outubro 19, 2012

19102012



Nunca soube direito
O que tanto queria
De alguém assim como você

Todos os meus amigos são
Capazes de jurar
Que você não tem quase
Nada a acrescentar.

E agora com essa chuva
Eu não posso nem dar uma volta por ai
Ver os pássaros cantando aqui e ali

Nessa vida quase tudo muda

O chão continua molhado
Uma hora ou outra
Tudo terá acabado

Mas você continuará voando solta

Como sempre eu não sei o que quero
Como nunca, jamais tive uma certeza
Tão incerta como agora, que fazer rima não é
Minha maior qualidade

Mas, me reservo apenas o direito
De nunca estar satisfeito.

domingo, setembro 30, 2012

30092012


Viva a publicidade
Seja magro e
Consuma com voracidade

As luzes da cidade te lembram de alguma coisa?
Tudo aquilo que você não tem,
Toda a felicidade que nunca vem
Porque você não tem um carro ou seu
Corpo está aquém.

E o anúncio te convida
Vá além vá além
Vista essa marca e ainda
Hoje coma alguém

Deixe de ser um zé ninguém
Seja mais um qualquer
Prefira um celular à
Uma mulher

quinta-feira, setembro 06, 2012

06092012



A semana inteira eu passei fazendo umas coisas meio doidas.
Andando pela rua e imaginando qual daquelas casas seria a sua
Algumas eram bem parecidas com você...
Mesmo já fazendo um tempo que a gente não se vê

Tem uma que fica numa esquina, toda de tijolinho.
O vizinho me achou suspeito ali olhando a casa esperando
Que você qualquer hora aparecesse na janela
Acenando e dizendo bom dia

Sentado na sarjeta
Segurando um cigarrinho
Até eu me acharia suspeito
Com esse buraco enorme no meio do peito

Peguei meu carrinho e fui subindo a ladeira
Só peço uma coisa...
Que apareça em alguma casa dessa rua.
Cada coisa tem me acontecido...

Ontem mesmo veio uma amiga me dizer,
Que era masoquista. E que eu também era
Por ficar andando o dia inteiro atrás
De alguém que talvez não exista

Preciso te achar antes que ela resolva me amarrar

quarta-feira, agosto 22, 2012

Número 2



                Deitei aqui pra tentar dormir. Fiquei pensando tanto que não consegui dormir, e estou atrasado. Não sei bem pra que. Afinal não tenho nenhum lugar pra ir. Meu dinheiro anda curto.
                E mesmo assim eu continuo deitado. Talvez até pudesse ligar para algum amigo. Pra alguma amiga talvez... Não, não tenho dinheiro nem pra ter “amigas”.
                Coloquei uma musica do David Bowie pra tocar, comecei a pensar em como as pessoas desperdiçam a vida delas com um monte de coisa que nem deveriam existir.

“Please tell my wife i love her very much”

 Se bem que eu sou um dos que mais faz isso. Até tentei ler um ou outro livro nessa deitada. Mas cada vez que começava a ler minha mente imediatamente saia viajando por ai. Muitas vezes eu penso que erro por nunca tentar algo novo. Sair de casa e conhecer um monte de idiotas com quem não me identifico. Dormir cedo e acordar pra ir ao parque. Essas coisas que eu acho que já escrevi sobre muitas vezes.
                Mas minha cama anda tão confortável ultimamente, e as pessoas tão chatas que meu travesseiro tem levado a melhor nessa questão de quem fica com quem.
 “Here am I floating round my tin can
Far above the moon
Planet Earth is blue, and there's nothing I can do...”

terça-feira, agosto 21, 2012

21082012 II


Tentava achar um caminho mais curto
Para chegar mais rápido em casa
Para ficar mais perto de mim

Nem sempre é possível ter aquilo que queremos
Dizem até que, é por isso que sofremos

Eu digo que sofremos por que pensamos

Enquanto isso eu sento no meio fio
Espero o sol se por pra perguntar 
Alguém quer seda?
Pra não mais se importar
Pelo menos até o o dia passar

21082012 I


Levo sempre comigo
Um monte de coisas que
Não mostro para meus amigos

Por falta de ter o que fazer,
Deito na grama e vejo
Todos os sonhos que tenho,
Um por um, morrerem.

São as nuvens feitas daquele
Algodão que usei pra limpar
Cada machucado, cada ralado,
E, no final da tarde, joguei no lixo?

E vou pra casa tomar banho de esguicho

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Quase um mês com 19 anos... você começa a se perguntar várias coisas.
bom, to tirando alguns poemas que eu gosto bastante pra depois publicar tudo junto numa espécie de coletânea.
Adiós Amigo

Seahorse



I own the ticks on a horse
I own his belly and balls
I own this
the way his eyes roll
the way he eats hay
and shits and
stands up asleep
he is mine
this machine
like a blue train I used to play with
when my hands were smaller and my mind better
I own this horse,
someday I will ride my horse
down all the streets
past the trees we will go
up the mountain
down the valley

domingo, agosto 12, 2012

Stalkiando noite a dentro


A noite era clara
Mas o sono não me vinha
Comecei então a rabiscar
O meu braço com um canivete

Pensando quem sou eu em meio
A todo esse drama
Em busca de amor eterno
Ou um pouco de fama.
Pessoas escrevendo na internet
E desejando que a vida delas viesse
Com o corretor do Google

E eu sou aquele espionando
No escuro a sua conta no Facebook
Desejando que um dia o computador
Produza cheiros e que eu possa baixar o seu
Perfume

quarta-feira, julho 25, 2012

25072012


Deitado  em cima do armário
Escrevendo em um caderno virado
A lua ilumina como um candelabro
E o cão lá fora late irado

Um homem passa e me observa
Como o cão a raiva ele conserva.
Procuro a arma que trago no bolso
Acho apenas uma caneta 

O homem vai embora levando minha inspiração
Ainda tento gritar
Pega ladrão! Pega ladrão!
Mas é tarde 

Mais tarde ainda uma linda mulher vem me visitar
Com um copo de Álcool na mão:
Um motivo para não mais amar

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Feliz dia do escritor!


sexta-feira, junho 29, 2012

27062012


Peguei um monte de pacotes
De camisinhas de todas as cores
Fui pro caixa pensando:
"O que se faz com camisinha que tem sabores?"

Já passou muito tempo desde o primeiro dia que
Vi você lá no caixa contando moedinha.
Tão bonita com um monte de cabelo caindo na cara.
Que linda sua franjinha!

Chegando lá você conta
Um, dois, três...
Deve se perguntar pra que tanta
Camisinha se eu só tenho um pinto

"são 27,90."

Antes de pagar leio no rótulo
Que o tamanho é médio.
Olho-te bem nos olhos e pergunto
Como que para quebrar o tédio.

"Tem tamanho maior?"

Tem jeito melhor de se paquerar na farmácia:
Que se gabar do tamanho de sua piroca?
Podia até te comprar uma flor...
Mas ai não seria tão poético esse
Nosso encontro.

Sinto uma tensão sexual crescente.
Me viro e, sozinho,
E levo as camisinhas tamanho médio mesmo
Largo tudo no canto da minha sala
E ligo a TV no canal de desenhos

Sem Data




Um sol amarelo brilha sobre uma terra amarela
Um menino amarelo riscando o chão
Escrevendo "amarelo hoje, amarelo ontem
E amanha também por que não?"

Lá de cima um urubu observa tudo
Se a vida um dia cair, levantando poeira amarela
Ele quer ser o primeiro a comer a carne amarela

Tirando 3 coisas é um mundo amarelo
O céu azul
O urubu preto
E o calor vermelho

Tirando 3 coisas é um mundo estéril



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foto emprestada do site:  http://beiradeestrada.zip.net/arch2007-11-18_2007-11-24.html

segunda-feira, junho 11, 2012

Alagoas.


                E foi num devaneio terrivelmente longo que isso me ocorreu. Estava eu lavando louça pensando o que fazer com a unha do dedão do meu pé que vinha ficando amarela. Cada vez mais amarela.

                Me perguntei em voz alta: será que essa unha vai cair?

- O que está dizendo Meretrício? Era assim que elas me chamavam lá naquele inferninho perdido no meio de Alagoas.

- Ora ora não é nada que estava dizendo não! Se me pego pensando em voz alta logo me reprimo.
-Nunca, meretrício! Nunca se reprima, não aqui nessa casa, pelo menos.

-Eu sei minha querida, estava louco. Foi apenas um distúrbio. Enfim, o bom filho a casa torna e estou de volta à essa casa de luz vermelha depois de quase um ano de reclusão! Venha  Juliana minha morena sedutora que temos muito tempo a recuperar! Para a alcova!

-Pera lá Meretrício! Acha que vai se livrar de mim assim tão fácil?

-Ó Ana minha loira! Se seus cabelos brilhassem apenas um pouquinho mais que isso o sol teria inveja e a lua ficaria envergonhada perante tua beleza! E olha que aqui nesta casa de luz vermelha tudo é sempre penumbra, oculto pela sombra... Imagino como você ficaria linda ao por do sol numa praia perdida, eu você e a nudez!

                Passei a mão pela cintura de Ana sem soltar Juliana e comecei a me encaminhar para o quarto quando senti que era observado.

-Júlia meu amor! Quanto tempo sem vê-la, e esses meses não conseguiram sequer diminuir vossa beleza! Pelo contrário, está mais bela que antes! Pergunto-me se um dia deixara de ficar mais bela a cada dia que passa! Seu cabelo vermelho como o fogo do amor que arde no meu coração por todas as coisas belas do mundo é mais belo que tudo que existe acima do nível do mar! Poderia dizer que é mais bela que todas mas isso seria uma injustiça para com as estrelas que tentam imita-la em sua perfeição! Sinto o tempo que passei longe de teu sorriso como sentiria o tempo se ficasse longe do sol ou da agua num dia de verão...

-Por que ficou fora tanto tempo meretrício?  Achamos que tinham se esquecido da gente

-Nunca minhas queridas! Poderia esquecer o meu nome, do rosto de mamãe e do caminho de casa mas nunca esqueceria minhas 3 deusas.

-Então por que ficou quase um ano longe de nossa cama?

-Ora eu tinha coisas demais para fazer, e quando as terminava estava tão esgotado que nem um bom tratamento poderia dar para vocês! Bem sabem que fiquei casado...

-O QUE?

-Pois é contraí matrimonio nesse ano que passou e quase não consegui me livrar dessa armadilha que é a vida conjugal. Por sorte me libertei e cá estou pronto para gozar a vida em grande estilo. Por acaso não haveriam de ter um charuto ai? Não? Bem vamos para alcova então.

-Espere meretrício... com quem passou esse tempo casado? Precisamos saber.

-Ora isso é pouco importante.

                Comecei a deslizar a alça da blusinha de Ana e a levantar a saia de Juliana, mas elas me impediram de continuar.

-Com quem?

-Ora bem sabem que eu sou um poeta, um espírito dedicado inteiramente a poesia, à bebedeira e a incentivar a anarquia e promiscuidade entre meus convivas!

                Como elas esperavam mais alguma coisa eu simplesmente remendei

-Casei-me com minha poesia enfim...

-O que?

-Pois é passei um ano reunindo escritos... Para enfim vir aqui me deleitar de vossa companhia! Tão doces senhoritas...

                Não pareciam nada convencidas mas, mesmo assim, me entregaram uma garrafa de jurupinga que eu tomei contrariado. Depois disso é tudo um borrão e uma mescla de pernas e pelos pubianos ruivos, negros e loiros.

                Acordei deitado em minha cama com um pano de prato enrolado no pescoço e uma travessa suja de molho branco ao pé da cama. Minha mãe não estava muito feliz com a situação.


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um conto que ofende a família brasileira.


segunda-feira, junho 04, 2012

04062012 II


Sonhei um dia que uma blogueira obscura
Tinha me citado em uma postagem
Me comparando com Pessoa com toda camaradagem

Mas que loucura!

E depois o isqueiro acabou
E a caneta não tinha tinta
E tive que beber a gasolina do carro
Pra não morre sufocado

Que absurdo!

E aquele garoto burro que não sabe escrever
Disse que não fiz nada no trabalho...
Que a minha ideia só quebrou um galho...
Pra você ver entediado leitor, que tipos pouco
Dignos de terem sido ejaculados eu tenho andado

Que azarado!

quarta-feira, maio 16, 2012

16052012



Tenho certeza,
Mais que certeza
Que já tivemos essa conversa antes
E muitas vezes! Antes mesmo
De ficar tão frio
Que até dava pra brincar na piscina

Qual! Antes mesmo de você
Mandar aquela foto sua...
Aquela foto maldita que prendeu minha atenção
E por horas eu não pensei em  mais nada

Só você deitada em um gramado
E o sol refletindo tudo em sua pele
Risos, cabelos ao vento todos emaranhados
Mais risos... e nós

Se misturando aos cabelos da terra que o
Homem burro insiste em chamar de grama.

Se perdi a conta de quantas linhas escrevi sobre você
É tudo culpa sua, pois também perdi a conta
Quando tentei contar pro meu amigo
Por que gosto de você

---------------------
Aquele primeiro da série PMRBQ... algo como poemas muito românticos de baixíssima qualidade. Mas esse eu até que gostei.

07052012



Sinto falta da minha loucura
A convivência me fez o mais conservador
Dos fascistas.

Há um preço alto a se pagar pela loucura
Depressão dor de barriga e garganta queimada
Mas o tédio e a mesmice do dia-a-dia
Ainda vão prender meu ventre e entristecer meu sorriso moralista e meu membro, 
Cansado da falta de sexo, encolherá até
Entre meu intestino e estômago descansar

E as queimaduras. agora de cubanos, 
Me incomodam tanto quanto a mancha na minha calca de pano

Me enoja inda mais a visão de uma
Mulher plastificada, tentando virar boneca, que a de uma criança abandonada
Se ao menos a boneca wannabe fosse brincar de casinha com a menina de rua
Minha missão estaria cumprida.

Apagaria meu charuto no cinzeiro que
Ela chama de coração. Acenderia o pavio
Dessa bomba cardíaca que insiste em bater
Apesar de tudo

Explodiria feliz, em meio a pó de giz
Pensando "que foi feito daquele anarquista
Que brincava recortando da revista, a cadeira mais bonita?"

segunda-feira, abril 23, 2012

2104212


E aquele dia que você
Resolveu que ia ser muito foda
Tatuar um símbolo que você desconhecia
O significado no dedo da mão direita? Não
É bizarro como o mundo da voltas sem nem sair do lugar?
Sem nem afrouxar o nó que prende nosso pescoço ao poste da padaria,
Como o cachorro que ficou esperando a tia comprar uma coca
Pro menino de rua. "Tia me compra uma coca ou risco teu 
Carro de tia." Então vê se aprende o que isso ai significa
E compra uma coca pra mim se não
Eu risco sua bicicleta Caloi
Oito marchas. 


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Brincando com a forma desse "poema"

quarta-feira, abril 18, 2012

20x40

Desenhei seu rosto num painel de 20x40
Coloquei cada detalhe seu no papel
Procurei colocar com perfeição cada defeito seu
Mas mesmo num painel tão grande
Do tamanho do céu,
Nem um erro pode-se aceitar

Em seus um metro e setenta
Que andam perdidos em algum motel
Com outra mulher ou com algum amigo meu.
Oh! Ando tão feliz que pareço dançante!
E sentado em uma cadeira me chamam de réu
Acusado do crime de não mais chorar

quarta-feira, abril 04, 2012

03082011


Quando nasci ganhei uma caixa
Dentro dela tinha um coração
Não era muito bom, mas era só meu.

Por muitos anos procurei outra caixa como a minha
Mas nas caixas que olhei nada encontrei,
Nada tinha. Eram vazias.

Um dia, no meio da escuridão
Ouvi uma batida que parecia com a minha
Que era fraca,
Mas me pertencia

Sua caixa eu encontrei
E não era vazia.
Tinha um coração que batia
No mesmo passo que o meu

E, embora todos digam o contrário,
Só dentro da sua caixa me sinto livre

É só dentro dela que posso ser feliz e esquecer
O mundo de caixas vazias
Que existe lá fora

Mas que tristeza a minha
Quando percebi
Que nem quando entrava na sua caixa
Seu coração
Disparava

Enquanto o meu quase parava
O seu batia sempre, forte e imponente
E sempre tão só

oi

Escrevendo uma porção enorme de poemas sobre amores ultraromanticos que nao se realizaram nessa minha vida robótica. ainda não sei se eles serão postados... sao MUITO ruins na verdade. pior que a media Marviana

sexta-feira, março 23, 2012

06082011




Eu costumava ver os Cavalos Amarelos
Que rondavam o pasto, que rodeava
Sua casa.
Naquele tempo eu via muitas coisas.

E o padre e os guerreiros
Vieram me acordar, naquela noite quente
Em que eu não consegui sonhar
Venha senhor! O lago está pegando fogo!

Disseram que isso acontecia sempre,
Desde que os Cavalos Amarelos a levaram para longe
Disseram que os deuses castigavam a vila
Por sua ausência

Eu lhes disse que um dia isso ia passar
Mas eles não queriam esperar, mandaram-me ir
E só voltar com você entre meus braços

Desde então venho vagando
Sempre perguntando, se viram
Um monte de Cavalos Amarelos
Levando embora a musa dos meus castelos

Me julgam louco, e dizem que lagos
Não podem pegar queimar
Como o fogo em meu coração
Quanto penso em te encontrar

Pergunto então, meu amorzinho,
Que foi feito dos Cavalos Amarelos
Que pastavam em volta de sua morada?

sexta-feira, março 16, 2012

18 anos.


Amontoam-se em um canto
Os poemas que não escrevi.
Só perdem em tamanho para a
Pilha de sonhos que esqueci

Minha barriga vem crescendo...
Me pergunto se estou gestando,
Um novo conto, uma nova criança,

Ou se estou ficando velho. Criando
Uma pança

Se faz mais de um mês que
Nada escrevo, nada leio,
Só me pergunto o que tenho
Feito...
E faz falta...

Falta amor no mundo!
Falta beleza na Raimunda
Falta cigarro na carteira
E notas na cigarreira!

Faltam versos de qualidade
Mas sobram poetas da minha idade
Sobram mitos, lendas, roupas.
E caras. Caras que namoram
Meus amores e me causam
Tal dissabor
Que chego a pensar que é
Dor, o verdadeiro som do
Amor.

08/12/2012

quinta-feira, março 08, 2012

Feliz dia da Mulher


Era uma quinta-feira. Dia 8 do 3 de 2012. Cheguei em casa apurado (apertado, constipado). Entrei no banheiro e já fui tirando a roupa. Primeiro tirei a calça mesmo, parte essencial quando uma pessoa pretende defecar (cagar, escorregar um moreno, poluir). Depois já fui arriando as cuecas e sentei na privada. Desde que eu era bem pequeno, sete ou seis anos, eu gostava de cagar pelado mesmo.        
                A maioria das pessoas tem problemas pra cagar fora de casa. Principalmente em banheiro publico. Eu não cagava em banheiro publico por que é fisicamente impossível cagar pelado na escola (já tentei, é difícil). Antes de quere ser escritor, antes mesmo de torcer pro Corinthians eu já gostava de cagar pelado.
                Pois então tirei também a camiseta, acomodei minha bunda murcha do melhor jeito possível e me preparei. Outro fato interessante sobre a minha pessoa: ainda que você ache uma poltrona o lugar mais confortável do mundo, eu acho que a privada é o assento mais confortável do mundo. Não sei bem se é por causa da ventilação extra nos países baixos, ou se é pela abertura em um ângulo perfeito que só uma privada pode proporcionar à essa minha bunda cheia de pelos.
                Nesse dia eu não consegui cagar. Mais ainda, nesse dia sentar no trono era extremamente desconfortável. No começo eu achei que era por que eu tentava cagar numa quinta-feira. Eu odeio quinta-feira. Sei que não sou o único que tem essa sensação, leia o Guia do mochileiro das galáxias.
                Mas, pasmem, não era isso. Acho que a minha retaguarda já sentia o que estava por vir. A região anal é, de longe, o melhor meio de prever o futuro. Se você vê um sujeito mal encarado andando na rua, a noite, e seu cu fico fechadinho... pode ter certeza que coisa boa não é. Sinto que minhas metáforas estão ficando cada vez piores, mas pode ser apenas impressão minha.
                Meu celular, no bolso  da minha calça, começou a tocar. Depois de lutar ao som de “nokia tunes” contra o bolso da calça, que não queria liberar meu celular, eu finalmente atendi.
-oi
-Marvin?
-eu                                  
-é sua prima Josefine.
-e aí
                Minha prima Josefine sempre foi um pé no saco. Ela é uns 4 anos mais nova que eu e sempre me chamava pra dormir na casa dela e pra conhecer as amigas mais-novas-e-cheias-de-espinhas-dela.
-nossa, eu tenho que te dizer uma coisa...
-diga.
                Meio que dei uma gemida por causa da força que fazia em paralelo à minha conversa com Josefine. Acontece.
-então... É que... Não me odeie...
-fala
                Ela desligou.
                Eu pensei: “um problema a menos, agora só falta dar aquela escorregada”
                O telefone tocou.
-não me odeie Marvin.
-fala de uma vez! (outro gemido)
-é que... Tem essa coisa, muito ruim... Eu não sei o que dizer
-tenta aí
-promete que não vai ficar bravo?
-(fazendo força pra cagar) prometo
-é que eu me apaixonei pela pessoa errada...

                Essa é uma das coisas mais controversas da vida... Será que a gente não manda MESMO no “coração”?

-que merda ein

(longo silêncio)

-diz o que você acha
-acho uma merda
-você sabe de quem eu to falando pelo menos?
-do “X”?
-não, Marvin... Você não entende não é?
-se você não falar exatamente o que eu preciso entender fica difícil.
-em me apaixonei pela pessoa errada....
-isso não é uma letra de musica??
-MARVIN
-que?
-você
-eu?
-logo eu?
-sim...
-você, pelo menos tá... Ouvindo o que tá me dizendo?
-eu to te dizendo...
-quer dizer, você percebe a loucura...
-loucura por quê?
-como “por quê”? Você é minha prima porra!
-e você acha que eu não sei? Você acha que eu não pensei sobre isso já? O quanto isso é ruim?
-se você tivesse pensado não taria por aí dizendo sandices!
-san-que?
-nada...
(longo silencio constrangedor, minha barriga ainda doía mas, cagar já não era a prioridade)
-e então?
-então o que Josefine? O que você quer que eu fale?
-eu quero que você me entenda!
-mano, eu te entendo... Eu entendo que você tá ficando louca
-louca por quê?!
- porque você tirou isso do nada? Logo agora? (na hora que eu to cagando)
-Não foi do nada, já faz muito tempo que eu sinto isso... É uma coisa que eu sei... Faz muito tempo...
-eu não sei o que dizer... Até sei... Esqueça isso!
-não dá! Você deve saber como é... Pensar numa pessoa o tempo todo, antes de dormir, o tempo todo... Toda hora... Eu sei o que eu to sentindo! Eu to sentindo é AMO...
-NÃO DIGA ESSA PALAVRA!
-AMOR!
-e o que você sabe de amor?! Na sua idade as pessoas brincam de boneca mano!
-eu sei! Eu sou uma mulher e...
-você tem 14 anos... Você não sabe nada de amor
-eu sei o que eu sinto... Você acha que eu não tentei de esquece? Fiquei um ano... Mais de um ano só tentando esquecer isso. Você acha que eu não sei o quanto isso é complicado? A gente é primo de primeiro grau...
-então você percebe a loucura do que tá dizendo?
-não é loucura! É amor!
-E o que diabo você quer que eu faça?
-quero que você me entenda!
-certo...
- você deve tá me achando uma boba... Uma idiota... Não deveria ter falado isso! Agora vai ser tudo diferente.
-mano... E como você quer... O que... EU NÃO SEI NEM O QUE DIZER.
-é você não sabe mesmo... (sarcástica)
-e o que você QUER que eu faça? Que eu vá até aí e fale “Josefine! Casa comigo que eu te amo”?
-não! Claro que não
-então?
-já falei que eu quero que você me entenda!

                Naquele momento eu só queria que minha vô tivesse abortado meu tio ainda no estado de mórula. Só pra não estar tendo aquela conversa. Falo mesmo.

-eu já falei que entendo... Mas eu quero que VOCÊ entenda que isso não faz sentido algum... Que é loucura... Que não vai rolar... Essas coisas...
-é não... Você não me entende por que você não tá dando a mínima...
-olha, amanha... Não amanha, daqui a 24 horas... Mas num futuro... Você vai ver a loucura que tá falando e vai concordar comigo... Até lá, você precisa esquecer... PRECISA.

-tá bom Marvin. (extremamente seca)
-é isso aí mano.
-então tá... até domingo.

                Desliguei o celular. De repente comecei a cagar... Consegui.

Sinceramente, o que estão dando de comer pra essas crianças? Será culpa da famigerada televisão brasileira? Será que é falta de palmada, modismo, excesso de açúcar no sangue? Juro que não sei... Outra quinta que acabou terrivelmente mal.
Queria dizer que foi simples como nesse texto mal escrito... Mas foram 28 minutos no celular, que eu resumi bastante!

Pelo menos acho que eu nunca caguei tanto, e tão bem... uma merda de dia isso sim!