sexta-feira, junho 29, 2012

27062012


Peguei um monte de pacotes
De camisinhas de todas as cores
Fui pro caixa pensando:
"O que se faz com camisinha que tem sabores?"

Já passou muito tempo desde o primeiro dia que
Vi você lá no caixa contando moedinha.
Tão bonita com um monte de cabelo caindo na cara.
Que linda sua franjinha!

Chegando lá você conta
Um, dois, três...
Deve se perguntar pra que tanta
Camisinha se eu só tenho um pinto

"são 27,90."

Antes de pagar leio no rótulo
Que o tamanho é médio.
Olho-te bem nos olhos e pergunto
Como que para quebrar o tédio.

"Tem tamanho maior?"

Tem jeito melhor de se paquerar na farmácia:
Que se gabar do tamanho de sua piroca?
Podia até te comprar uma flor...
Mas ai não seria tão poético esse
Nosso encontro.

Sinto uma tensão sexual crescente.
Me viro e, sozinho,
E levo as camisinhas tamanho médio mesmo
Largo tudo no canto da minha sala
E ligo a TV no canal de desenhos

Sem Data




Um sol amarelo brilha sobre uma terra amarela
Um menino amarelo riscando o chão
Escrevendo "amarelo hoje, amarelo ontem
E amanha também por que não?"

Lá de cima um urubu observa tudo
Se a vida um dia cair, levantando poeira amarela
Ele quer ser o primeiro a comer a carne amarela

Tirando 3 coisas é um mundo amarelo
O céu azul
O urubu preto
E o calor vermelho

Tirando 3 coisas é um mundo estéril



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foto emprestada do site:  http://beiradeestrada.zip.net/arch2007-11-18_2007-11-24.html

segunda-feira, junho 11, 2012

Alagoas.


                E foi num devaneio terrivelmente longo que isso me ocorreu. Estava eu lavando louça pensando o que fazer com a unha do dedão do meu pé que vinha ficando amarela. Cada vez mais amarela.

                Me perguntei em voz alta: será que essa unha vai cair?

- O que está dizendo Meretrício? Era assim que elas me chamavam lá naquele inferninho perdido no meio de Alagoas.

- Ora ora não é nada que estava dizendo não! Se me pego pensando em voz alta logo me reprimo.
-Nunca, meretrício! Nunca se reprima, não aqui nessa casa, pelo menos.

-Eu sei minha querida, estava louco. Foi apenas um distúrbio. Enfim, o bom filho a casa torna e estou de volta à essa casa de luz vermelha depois de quase um ano de reclusão! Venha  Juliana minha morena sedutora que temos muito tempo a recuperar! Para a alcova!

-Pera lá Meretrício! Acha que vai se livrar de mim assim tão fácil?

-Ó Ana minha loira! Se seus cabelos brilhassem apenas um pouquinho mais que isso o sol teria inveja e a lua ficaria envergonhada perante tua beleza! E olha que aqui nesta casa de luz vermelha tudo é sempre penumbra, oculto pela sombra... Imagino como você ficaria linda ao por do sol numa praia perdida, eu você e a nudez!

                Passei a mão pela cintura de Ana sem soltar Juliana e comecei a me encaminhar para o quarto quando senti que era observado.

-Júlia meu amor! Quanto tempo sem vê-la, e esses meses não conseguiram sequer diminuir vossa beleza! Pelo contrário, está mais bela que antes! Pergunto-me se um dia deixara de ficar mais bela a cada dia que passa! Seu cabelo vermelho como o fogo do amor que arde no meu coração por todas as coisas belas do mundo é mais belo que tudo que existe acima do nível do mar! Poderia dizer que é mais bela que todas mas isso seria uma injustiça para com as estrelas que tentam imita-la em sua perfeição! Sinto o tempo que passei longe de teu sorriso como sentiria o tempo se ficasse longe do sol ou da agua num dia de verão...

-Por que ficou fora tanto tempo meretrício?  Achamos que tinham se esquecido da gente

-Nunca minhas queridas! Poderia esquecer o meu nome, do rosto de mamãe e do caminho de casa mas nunca esqueceria minhas 3 deusas.

-Então por que ficou quase um ano longe de nossa cama?

-Ora eu tinha coisas demais para fazer, e quando as terminava estava tão esgotado que nem um bom tratamento poderia dar para vocês! Bem sabem que fiquei casado...

-O QUE?

-Pois é contraí matrimonio nesse ano que passou e quase não consegui me livrar dessa armadilha que é a vida conjugal. Por sorte me libertei e cá estou pronto para gozar a vida em grande estilo. Por acaso não haveriam de ter um charuto ai? Não? Bem vamos para alcova então.

-Espere meretrício... com quem passou esse tempo casado? Precisamos saber.

-Ora isso é pouco importante.

                Comecei a deslizar a alça da blusinha de Ana e a levantar a saia de Juliana, mas elas me impediram de continuar.

-Com quem?

-Ora bem sabem que eu sou um poeta, um espírito dedicado inteiramente a poesia, à bebedeira e a incentivar a anarquia e promiscuidade entre meus convivas!

                Como elas esperavam mais alguma coisa eu simplesmente remendei

-Casei-me com minha poesia enfim...

-O que?

-Pois é passei um ano reunindo escritos... Para enfim vir aqui me deleitar de vossa companhia! Tão doces senhoritas...

                Não pareciam nada convencidas mas, mesmo assim, me entregaram uma garrafa de jurupinga que eu tomei contrariado. Depois disso é tudo um borrão e uma mescla de pernas e pelos pubianos ruivos, negros e loiros.

                Acordei deitado em minha cama com um pano de prato enrolado no pescoço e uma travessa suja de molho branco ao pé da cama. Minha mãe não estava muito feliz com a situação.


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um conto que ofende a família brasileira.


segunda-feira, junho 04, 2012

04062012 II


Sonhei um dia que uma blogueira obscura
Tinha me citado em uma postagem
Me comparando com Pessoa com toda camaradagem

Mas que loucura!

E depois o isqueiro acabou
E a caneta não tinha tinta
E tive que beber a gasolina do carro
Pra não morre sufocado

Que absurdo!

E aquele garoto burro que não sabe escrever
Disse que não fiz nada no trabalho...
Que a minha ideia só quebrou um galho...
Pra você ver entediado leitor, que tipos pouco
Dignos de terem sido ejaculados eu tenho andado

Que azarado!