quinta-feira, outubro 25, 2012

23102012


Mais um troféu lustrado de uma noite falhada.
Um monte de gente esperando ao pé da escada

Luzes, música
E um monte de palavras rústicas
Formam um antiquário perfeito
Uma estante de segredos
Nessa vida a gente só quer ser aceito.

Então você diz que amanhã a noite
Nos dois nos livraremos desse açoite
Que amanhã a noite
Enfim dominaremos o mundo também

Mas o amanhã nunca vem
Só domino um mundo sem ninguém
E o amanhã nunca vem.

terça-feira, outubro 23, 2012

Exatas


Aquele era um ano bem difícil pra mim. Cursinho é uma das melhores e piores coisas que se pode fazer. Por um lado a sensação de matar aula pra ficar o dia inteiro na casa da sua amiga é muito legal, por outro ficar com peso na consciência por causa disso não é tão bom.
                Eu tinha acabado de entrar na sala quando meu celular vibrou.
“então o que você está fazendo?”
“nossa, nada. Esperando o professor pra mais um dia zuado”
“que merda.”
“pois é”
                Ficamos um tempo em silêncio. Fazia um lindo dia lá fora, alguns passarinhos cantavam e um monte de gente seguia pro ponto de ônibus.
“o que você vai fazer?”
“não sei ainda. Acho que vou passar o dia deitada.”
“isso é bom. Faz tanto tempo que não fico o dia inteiro assim”
“porra vem pra cá então”
                Sai pela porta andando devagar, cruzei com o professor e nossos olhos se encontraram. Foda-se tudo quando alguém te chama pra fazer algo melhor. Ou simplesmente não fazer nada. A vida é muito curta né? Mesmo que às vezes, quando você ta sentado lá pensando pra onde está indo, de onde veio e blá blá ela pareça longa demais. Divago.
                Fui direto pro ponto de ônibus mas não conseguia lembrar de jeito nenhum qual deles eu deveria pegar. Perguntei pra uma mulher do meu lado e ele nunca tinha ouvido falar daquele bairro. Peguei o primeiro ônibus que dizia shopping dom Pedro, decidi que ia andar a partir dali. Andar nunca fez mal pra ninguém.
                Por sorte o ônibus passou na rua de trás da casa dela. Desci e fui andando. Procurei meus cigarros no bolso, mas achei que não ia dar tempo pra fumar, então guardei eles no bolso de novo.
                 Ela atendeu a porta e já me deu uma cerveja, gelada, como o coração das meninas que eu tinha conhecido até então, e me disse pra entrar. Parecia que a mãe dela não aparecia lá há semanas por que a casa estava uma bagunça. Tinha até um sapato em cima da mesa de jantar.
“então, sua mãe está em casa?”
“ela vem e vai o tempo todo. Mas ultimamente acho que está morando com o namorado dela”
                 Ela me deu mais uma cerveja e jogou a outra num canto qualquer. Também tinham algumas latas em cima da televisão. Tomei um gole e depois olhei pra ela. Me perguntei por um momento se eu devia fazer alguma coisa. Não precisei decidir, ela se aproximou e me beijou. Primeiro no rosto, e depois na boca.
                A manhã estava começando a ficar boa.

“porra eu estou cansado.”
                Me sentei na cama procurando a minha camisa.
“muita diversão?”
“andei pra caramba pra chegar até aqui. Não sabia qual ônibus pegar então eu desci no dom Pedro." menti mesmo, na cara dura. Só pra  verse ela ia ficar com dó de mim.
“sabe que tem um ônibus que passa na rua de trás?”
“bom, agora eu sei. Da próxima vez eu não vou ficar tão cansado”
“eu acho que não vai ter uma próxima vez”
                Eu dei uma engasgada pois estava no meio de um gole de cerveja.
“bom, eu ia te falar antes mas achei que você ia ficar todo meloso. Então resolvi só aproveitar o momento.”
“acho que foi uma boa ideia”
“é.... Então. Não é nada sobre você, é só que eu vou morar com meu pai...”
“nossa você está me trocando por um homem que tem idade para ser seu pai!”
                Ela me olhou de um jeito que dizia “não faça piada com a minha cara”
“brincadeira. Mas eu acho que... olha eu só posso dizer que eu quero que você seja feliz não importa onde seja... digo, eu não sou muito bom em dizer coisas, nem com despedidas. Acho que eu simplesmente vou embora. Qualquer dia nos nos encontramos... “
“nessa vida ou na próxima”
                Matei minha cerveja antes de dizer:
“você e essas merdas que você fala!”
                Sai da casa dela e fui direto pra casa. Não ia conseguir chegar no horário da aula de química. Afinal quimica é sempre o que fode com as coisa que deveriam ser só físicas. Você quer só o bom e velho atrito, mas seu coração reage de forma totalmente imprevisível.

sexta-feira, outubro 19, 2012

19102012



Nunca soube direito
O que tanto queria
De alguém assim como você

Todos os meus amigos são
Capazes de jurar
Que você não tem quase
Nada a acrescentar.

E agora com essa chuva
Eu não posso nem dar uma volta por ai
Ver os pássaros cantando aqui e ali

Nessa vida quase tudo muda

O chão continua molhado
Uma hora ou outra
Tudo terá acabado

Mas você continuará voando solta

Como sempre eu não sei o que quero
Como nunca, jamais tive uma certeza
Tão incerta como agora, que fazer rima não é
Minha maior qualidade

Mas, me reservo apenas o direito
De nunca estar satisfeito.