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domingo, setembro 01, 2013

Ultimamente está fazendo um frio do caralho.


                Mas eu tenho andado por aí só de cueca. Esperando a deixa, caso alguém me pergunte: “tá com frio não?” Eu respondo entre os dentes pra aquela menina dos olhos bondosos.
-Olha minha querida, ultimamente eu não sinto porra nenhuma.
-Sou uma máquina querida... Tenho uma epifania atrás da outra. Mas fiz questão de esquecer todas. Tem gente que diz que nós somos a epifania de Deus. Eu me pergunto então se é de outra epifania que eu preciso.
                É divertido ouvir as risadas. Parece que é um riso nervoso. Desesperados. É isso que eu acho. Acho que todos eles tem epifanias diárias também.
                Você tem moça? Acho que não.
Mas também já me enganei antes.
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                Acabei esquecendo o que queria escrever.
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                Enfim. Ultimamente eu não sei se tem vozes na minha cabeça ou se eu sou a voz na cabeça de alguém. Se você ouve vozes minha querida, deveria buscar ajuda especializada.
                Eu ainda não sinto frio, mas a enfermeira trouxe um cobertor mesmo assim. Minha memória anda péssima então eu não me lembro do nome da enfermeira. Sabe que outro dia vieram me lembrar que minha vida anda uma merda. “de cueca numa sexta à noite. vai botar uma camisa aqui faz frio”.
                Talvez você devesse falar com algum profissional da área.
Querida você tem lindos olhos. Parecem bem cansadinhos de tudo que já viram... Mas ainda têm aquele brilho que espera as coisas novas de forma ansiosa. Você tem olhos bondosos.
                Mas isso logo muda.

                Eu sou um profissional da área e você não parece nada bem.

                É preocupante o diagnóstico: todos que estão vivos aqui hoje um dia estarão mortos. Mesmo assim só tem um jeito que eu escolhi... um jeito que eu não quero fazer uso na hora de morrer. Digo, só não quero morrer de um jeito: Asfixia Auto Erótica.

                Isso seria edificante demais pra mim.

18032013

quarta-feira, novembro 07, 2012

Sonhos e Poemas



            Marvin encontro Luiz em um bar qualquer. Era sábado à noite em campinas. Na verdade era quase domingo, então o bar estava ligeiramente lotado. Uma porção de perdidos fuma cigarros na parte externa. Acendiam um atrás do outro, alguns nem tragavam, outros seguravam no pulmão por tempo demais até começarem a tossir.
            Tem uma espécie de segregação com as pessoas que escolhem ir fodendo seus pulmõezinhos aos poucos. Como se esses fossem 'dalits' ou coisa do tipo. Tem que ficar lá fora na noite fria, fumando o mais rápido possível pra tentar voltar pra mesa antes da história interessante que estão contando acabar..
            No meio de todos aqueles fodedores, Marvin e Luiz estavam sentados. Cada uma com uma cerveja na mão e um monte de merda presa dentro do peito.

-Pois é Marvin a vida não anda fácil pra quem está vivo.
-a vida não tá fácil nem pra quem tá morto.
-oi?
-você embaixo da terra sendo comido por um monte de vermes. Imagina? Vermes no se u cérebro, subindo pelos seus intestinos. Comendo aquilo que é só seu. Sua merda coisa e tal.
-vejo que você tá tão na bad quanto eu.
-sempre
-isso é bom. Ter com quem compartilhar.
-acho que sim
-cara eu mandei um poema meu pra porra duma revista.

            Luiz se dizia escritor. Escrevia péssimos poemas e contos horríveis. Mas fazia questão que todos lessem seu blog. “comenta lá nesse poema que eu escrevi sobre os fiapos do meu umbigo”

-e ae?
-bom, nem foi publicado.
-que merda

            Cada um tomou um gole da cerveja.

-outro dia eu tive um sonho.
-era um bom poema.
-um sonho bizarríssimo...
-acho que todo mundo teria gostado se tivesse sido publicado.
-eu sonhei com essa amiga nossa do tempo de escola. Lembra dela? A Júlia?
-uma vez eu escrevi um poema sobre a Júlia
-gostosissíma.
-mas acho que nem cheguei a mandar esse pra ninguém.
-belos peitos.
-mas aquele que eu mandei era realmente bom.
-então. Meu sonho com ela...
-as vezes eu tento imaginar se os grandes também eram ignorados em seu tempo.
-bizarríssimo!
-os grandes?
-o sonho.
-ah!.

            Marvin tomou um gole da cerveja do Luiz já que a dele estava seca.

-foi assim, no sonho, era de manha cedo. E a gente tava na escola. E ai a Júlia chegou. Comendo um croissant enorme. Do tamanho de uma baguete eu acho. Do tamanho da porra de um braço. Um braço de criança de presunto e queijo. Um verdadeiro estouro. E ela foi comendo aquela coisa enorme, colocando quase metade do croissant na boca só pra depois tirar e morder a pontinha. Eu não sei como tudo aquilo cabia na boca dela, mas eu estava tentado a descobrir. Então eu falei pra ele “uau Júlia, eu não sei como você engole tudo isso mas eu realmente queria que você me mostrasse o que mais você sabe fazer!” e ela respondeu que podia me mostrar mais tarde. Cara. Foi daora. Aí meu outro amigo apareceu do nada e gritou “cara ela tá tããããão na sua”. De repente tudo ficou escuro e acho que já era de noite por que eu já podia ver a lua no ceu. Toda branca, toda redonda. E a Júlia apareceu vestida de militar russa e me mandou fazer milhões de flexões enquanto gritava “ta vendo o que mais eu sei fazer? Eu sei mandar uns viados à merda. Mais 50 flexões seu bunda mole do caralho!”. Achei que ia ser uma porra dum sonho sexual mas nem foi.
-diabos.
-o que?
-que merda que não publicaram meu poema.
-o que isso quer dizer afinal?
-que não estão prontos para minha genialidade.
-será que isso é uma vontade inconsciente de ser dominado? De levar no rabo?
-acho que estou com o poema aqui
-será que estou virando gay? Me ajude Luiz!
-aqui- meteu a mão no bolso- vou ler um negócio pra você que vai fazer você se sentir melhor.

            Se levantou e  ficou uns dois passos distante, pra que mais gente pudesse ser abençoado com seus lindos versinhos. Pôs uma mão no peito e sai declamando:

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Você ouve os outros gritando
Mas ninguém nunca te ouve conversando!
Tenho um headbanger  dentro do meu peito!
Que chuta e pula pra vadia nenhuma
Botar defeito!
Me conta como é ser um clandestino
Que vaga pelos corações assim sem destino?

Me conta como é correr de medo
Toda vez que
Você ouve os outros gritando...
Mas ninguém nunca te ouve conversando!

Outro dia fui até teu apartamento
Ouvi alguém, uma puta,
Gritando lá dentro

Fui embora sem nem bater na porta!
Fui-me embora e na padaria
Saqueei uma torta
--------------------------------
            Ninguém deu a  mínima.

-o que achou?
-acho que estou perdendo o juízo.
-todos estão. Esse poema é ouro puro! Tem que ser um desajuizado pra ignorar essa porra!
            Luiz levantou e foi andando em direção à porta. Marvin acendeu um cigarro com uma certa indecisão: não sabia se era só um cigarro ou se era mais um símbolo fálico que punha na boca.

terça-feira, outubro 23, 2012

Exatas


Aquele era um ano bem difícil pra mim. Cursinho é uma das melhores e piores coisas que se pode fazer. Por um lado a sensação de matar aula pra ficar o dia inteiro na casa da sua amiga é muito legal, por outro ficar com peso na consciência por causa disso não é tão bom.
                Eu tinha acabado de entrar na sala quando meu celular vibrou.
“então o que você está fazendo?”
“nossa, nada. Esperando o professor pra mais um dia zuado”
“que merda.”
“pois é”
                Ficamos um tempo em silêncio. Fazia um lindo dia lá fora, alguns passarinhos cantavam e um monte de gente seguia pro ponto de ônibus.
“o que você vai fazer?”
“não sei ainda. Acho que vou passar o dia deitada.”
“isso é bom. Faz tanto tempo que não fico o dia inteiro assim”
“porra vem pra cá então”
                Sai pela porta andando devagar, cruzei com o professor e nossos olhos se encontraram. Foda-se tudo quando alguém te chama pra fazer algo melhor. Ou simplesmente não fazer nada. A vida é muito curta né? Mesmo que às vezes, quando você ta sentado lá pensando pra onde está indo, de onde veio e blá blá ela pareça longa demais. Divago.
                Fui direto pro ponto de ônibus mas não conseguia lembrar de jeito nenhum qual deles eu deveria pegar. Perguntei pra uma mulher do meu lado e ele nunca tinha ouvido falar daquele bairro. Peguei o primeiro ônibus que dizia shopping dom Pedro, decidi que ia andar a partir dali. Andar nunca fez mal pra ninguém.
                Por sorte o ônibus passou na rua de trás da casa dela. Desci e fui andando. Procurei meus cigarros no bolso, mas achei que não ia dar tempo pra fumar, então guardei eles no bolso de novo.
                 Ela atendeu a porta e já me deu uma cerveja, gelada, como o coração das meninas que eu tinha conhecido até então, e me disse pra entrar. Parecia que a mãe dela não aparecia lá há semanas por que a casa estava uma bagunça. Tinha até um sapato em cima da mesa de jantar.
“então, sua mãe está em casa?”
“ela vem e vai o tempo todo. Mas ultimamente acho que está morando com o namorado dela”
                 Ela me deu mais uma cerveja e jogou a outra num canto qualquer. Também tinham algumas latas em cima da televisão. Tomei um gole e depois olhei pra ela. Me perguntei por um momento se eu devia fazer alguma coisa. Não precisei decidir, ela se aproximou e me beijou. Primeiro no rosto, e depois na boca.
                A manhã estava começando a ficar boa.

“porra eu estou cansado.”
                Me sentei na cama procurando a minha camisa.
“muita diversão?”
“andei pra caramba pra chegar até aqui. Não sabia qual ônibus pegar então eu desci no dom Pedro." menti mesmo, na cara dura. Só pra  verse ela ia ficar com dó de mim.
“sabe que tem um ônibus que passa na rua de trás?”
“bom, agora eu sei. Da próxima vez eu não vou ficar tão cansado”
“eu acho que não vai ter uma próxima vez”
                Eu dei uma engasgada pois estava no meio de um gole de cerveja.
“bom, eu ia te falar antes mas achei que você ia ficar todo meloso. Então resolvi só aproveitar o momento.”
“acho que foi uma boa ideia”
“é.... Então. Não é nada sobre você, é só que eu vou morar com meu pai...”
“nossa você está me trocando por um homem que tem idade para ser seu pai!”
                Ela me olhou de um jeito que dizia “não faça piada com a minha cara”
“brincadeira. Mas eu acho que... olha eu só posso dizer que eu quero que você seja feliz não importa onde seja... digo, eu não sou muito bom em dizer coisas, nem com despedidas. Acho que eu simplesmente vou embora. Qualquer dia nos nos encontramos... “
“nessa vida ou na próxima”
                Matei minha cerveja antes de dizer:
“você e essas merdas que você fala!”
                Sai da casa dela e fui direto pra casa. Não ia conseguir chegar no horário da aula de química. Afinal quimica é sempre o que fode com as coisa que deveriam ser só físicas. Você quer só o bom e velho atrito, mas seu coração reage de forma totalmente imprevisível.

segunda-feira, junho 11, 2012

Alagoas.


                E foi num devaneio terrivelmente longo que isso me ocorreu. Estava eu lavando louça pensando o que fazer com a unha do dedão do meu pé que vinha ficando amarela. Cada vez mais amarela.

                Me perguntei em voz alta: será que essa unha vai cair?

- O que está dizendo Meretrício? Era assim que elas me chamavam lá naquele inferninho perdido no meio de Alagoas.

- Ora ora não é nada que estava dizendo não! Se me pego pensando em voz alta logo me reprimo.
-Nunca, meretrício! Nunca se reprima, não aqui nessa casa, pelo menos.

-Eu sei minha querida, estava louco. Foi apenas um distúrbio. Enfim, o bom filho a casa torna e estou de volta à essa casa de luz vermelha depois de quase um ano de reclusão! Venha  Juliana minha morena sedutora que temos muito tempo a recuperar! Para a alcova!

-Pera lá Meretrício! Acha que vai se livrar de mim assim tão fácil?

-Ó Ana minha loira! Se seus cabelos brilhassem apenas um pouquinho mais que isso o sol teria inveja e a lua ficaria envergonhada perante tua beleza! E olha que aqui nesta casa de luz vermelha tudo é sempre penumbra, oculto pela sombra... Imagino como você ficaria linda ao por do sol numa praia perdida, eu você e a nudez!

                Passei a mão pela cintura de Ana sem soltar Juliana e comecei a me encaminhar para o quarto quando senti que era observado.

-Júlia meu amor! Quanto tempo sem vê-la, e esses meses não conseguiram sequer diminuir vossa beleza! Pelo contrário, está mais bela que antes! Pergunto-me se um dia deixara de ficar mais bela a cada dia que passa! Seu cabelo vermelho como o fogo do amor que arde no meu coração por todas as coisas belas do mundo é mais belo que tudo que existe acima do nível do mar! Poderia dizer que é mais bela que todas mas isso seria uma injustiça para com as estrelas que tentam imita-la em sua perfeição! Sinto o tempo que passei longe de teu sorriso como sentiria o tempo se ficasse longe do sol ou da agua num dia de verão...

-Por que ficou fora tanto tempo meretrício?  Achamos que tinham se esquecido da gente

-Nunca minhas queridas! Poderia esquecer o meu nome, do rosto de mamãe e do caminho de casa mas nunca esqueceria minhas 3 deusas.

-Então por que ficou quase um ano longe de nossa cama?

-Ora eu tinha coisas demais para fazer, e quando as terminava estava tão esgotado que nem um bom tratamento poderia dar para vocês! Bem sabem que fiquei casado...

-O QUE?

-Pois é contraí matrimonio nesse ano que passou e quase não consegui me livrar dessa armadilha que é a vida conjugal. Por sorte me libertei e cá estou pronto para gozar a vida em grande estilo. Por acaso não haveriam de ter um charuto ai? Não? Bem vamos para alcova então.

-Espere meretrício... com quem passou esse tempo casado? Precisamos saber.

-Ora isso é pouco importante.

                Comecei a deslizar a alça da blusinha de Ana e a levantar a saia de Juliana, mas elas me impediram de continuar.

-Com quem?

-Ora bem sabem que eu sou um poeta, um espírito dedicado inteiramente a poesia, à bebedeira e a incentivar a anarquia e promiscuidade entre meus convivas!

                Como elas esperavam mais alguma coisa eu simplesmente remendei

-Casei-me com minha poesia enfim...

-O que?

-Pois é passei um ano reunindo escritos... Para enfim vir aqui me deleitar de vossa companhia! Tão doces senhoritas...

                Não pareciam nada convencidas mas, mesmo assim, me entregaram uma garrafa de jurupinga que eu tomei contrariado. Depois disso é tudo um borrão e uma mescla de pernas e pelos pubianos ruivos, negros e loiros.

                Acordei deitado em minha cama com um pano de prato enrolado no pescoço e uma travessa suja de molho branco ao pé da cama. Minha mãe não estava muito feliz com a situação.


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um conto que ofende a família brasileira.


quinta-feira, março 08, 2012

Feliz dia da Mulher


Era uma quinta-feira. Dia 8 do 3 de 2012. Cheguei em casa apurado (apertado, constipado). Entrei no banheiro e já fui tirando a roupa. Primeiro tirei a calça mesmo, parte essencial quando uma pessoa pretende defecar (cagar, escorregar um moreno, poluir). Depois já fui arriando as cuecas e sentei na privada. Desde que eu era bem pequeno, sete ou seis anos, eu gostava de cagar pelado mesmo.        
                A maioria das pessoas tem problemas pra cagar fora de casa. Principalmente em banheiro publico. Eu não cagava em banheiro publico por que é fisicamente impossível cagar pelado na escola (já tentei, é difícil). Antes de quere ser escritor, antes mesmo de torcer pro Corinthians eu já gostava de cagar pelado.
                Pois então tirei também a camiseta, acomodei minha bunda murcha do melhor jeito possível e me preparei. Outro fato interessante sobre a minha pessoa: ainda que você ache uma poltrona o lugar mais confortável do mundo, eu acho que a privada é o assento mais confortável do mundo. Não sei bem se é por causa da ventilação extra nos países baixos, ou se é pela abertura em um ângulo perfeito que só uma privada pode proporcionar à essa minha bunda cheia de pelos.
                Nesse dia eu não consegui cagar. Mais ainda, nesse dia sentar no trono era extremamente desconfortável. No começo eu achei que era por que eu tentava cagar numa quinta-feira. Eu odeio quinta-feira. Sei que não sou o único que tem essa sensação, leia o Guia do mochileiro das galáxias.
                Mas, pasmem, não era isso. Acho que a minha retaguarda já sentia o que estava por vir. A região anal é, de longe, o melhor meio de prever o futuro. Se você vê um sujeito mal encarado andando na rua, a noite, e seu cu fico fechadinho... pode ter certeza que coisa boa não é. Sinto que minhas metáforas estão ficando cada vez piores, mas pode ser apenas impressão minha.
                Meu celular, no bolso  da minha calça, começou a tocar. Depois de lutar ao som de “nokia tunes” contra o bolso da calça, que não queria liberar meu celular, eu finalmente atendi.
-oi
-Marvin?
-eu                                  
-é sua prima Josefine.
-e aí
                Minha prima Josefine sempre foi um pé no saco. Ela é uns 4 anos mais nova que eu e sempre me chamava pra dormir na casa dela e pra conhecer as amigas mais-novas-e-cheias-de-espinhas-dela.
-nossa, eu tenho que te dizer uma coisa...
-diga.
                Meio que dei uma gemida por causa da força que fazia em paralelo à minha conversa com Josefine. Acontece.
-então... É que... Não me odeie...
-fala
                Ela desligou.
                Eu pensei: “um problema a menos, agora só falta dar aquela escorregada”
                O telefone tocou.
-não me odeie Marvin.
-fala de uma vez! (outro gemido)
-é que... Tem essa coisa, muito ruim... Eu não sei o que dizer
-tenta aí
-promete que não vai ficar bravo?
-(fazendo força pra cagar) prometo
-é que eu me apaixonei pela pessoa errada...

                Essa é uma das coisas mais controversas da vida... Será que a gente não manda MESMO no “coração”?

-que merda ein

(longo silêncio)

-diz o que você acha
-acho uma merda
-você sabe de quem eu to falando pelo menos?
-do “X”?
-não, Marvin... Você não entende não é?
-se você não falar exatamente o que eu preciso entender fica difícil.
-em me apaixonei pela pessoa errada....
-isso não é uma letra de musica??
-MARVIN
-que?
-você
-eu?
-logo eu?
-sim...
-você, pelo menos tá... Ouvindo o que tá me dizendo?
-eu to te dizendo...
-quer dizer, você percebe a loucura...
-loucura por quê?
-como “por quê”? Você é minha prima porra!
-e você acha que eu não sei? Você acha que eu não pensei sobre isso já? O quanto isso é ruim?
-se você tivesse pensado não taria por aí dizendo sandices!
-san-que?
-nada...
(longo silencio constrangedor, minha barriga ainda doía mas, cagar já não era a prioridade)
-e então?
-então o que Josefine? O que você quer que eu fale?
-eu quero que você me entenda!
-mano, eu te entendo... Eu entendo que você tá ficando louca
-louca por quê?!
- porque você tirou isso do nada? Logo agora? (na hora que eu to cagando)
-Não foi do nada, já faz muito tempo que eu sinto isso... É uma coisa que eu sei... Faz muito tempo...
-eu não sei o que dizer... Até sei... Esqueça isso!
-não dá! Você deve saber como é... Pensar numa pessoa o tempo todo, antes de dormir, o tempo todo... Toda hora... Eu sei o que eu to sentindo! Eu to sentindo é AMO...
-NÃO DIGA ESSA PALAVRA!
-AMOR!
-e o que você sabe de amor?! Na sua idade as pessoas brincam de boneca mano!
-eu sei! Eu sou uma mulher e...
-você tem 14 anos... Você não sabe nada de amor
-eu sei o que eu sinto... Você acha que eu não tentei de esquece? Fiquei um ano... Mais de um ano só tentando esquecer isso. Você acha que eu não sei o quanto isso é complicado? A gente é primo de primeiro grau...
-então você percebe a loucura do que tá dizendo?
-não é loucura! É amor!
-E o que diabo você quer que eu faça?
-quero que você me entenda!
-certo...
- você deve tá me achando uma boba... Uma idiota... Não deveria ter falado isso! Agora vai ser tudo diferente.
-mano... E como você quer... O que... EU NÃO SEI NEM O QUE DIZER.
-é você não sabe mesmo... (sarcástica)
-e o que você QUER que eu faça? Que eu vá até aí e fale “Josefine! Casa comigo que eu te amo”?
-não! Claro que não
-então?
-já falei que eu quero que você me entenda!

                Naquele momento eu só queria que minha vô tivesse abortado meu tio ainda no estado de mórula. Só pra não estar tendo aquela conversa. Falo mesmo.

-eu já falei que entendo... Mas eu quero que VOCÊ entenda que isso não faz sentido algum... Que é loucura... Que não vai rolar... Essas coisas...
-é não... Você não me entende por que você não tá dando a mínima...
-olha, amanha... Não amanha, daqui a 24 horas... Mas num futuro... Você vai ver a loucura que tá falando e vai concordar comigo... Até lá, você precisa esquecer... PRECISA.

-tá bom Marvin. (extremamente seca)
-é isso aí mano.
-então tá... até domingo.

                Desliguei o celular. De repente comecei a cagar... Consegui.

Sinceramente, o que estão dando de comer pra essas crianças? Será culpa da famigerada televisão brasileira? Será que é falta de palmada, modismo, excesso de açúcar no sangue? Juro que não sei... Outra quinta que acabou terrivelmente mal.
Queria dizer que foi simples como nesse texto mal escrito... Mas foram 28 minutos no celular, que eu resumi bastante!

Pelo menos acho que eu nunca caguei tanto, e tão bem... uma merda de dia isso sim!

terça-feira, janeiro 24, 2012

A


Era uma quinta feira.  Eu tava de bobeira, matando aula no cursinho, quando meu celular tocou.
-Alô
-Marvin?
- Eu mesmo...
- Aqui é a M.
                M era uma amiga minha de infância que de vez em nunca me ligava e me chamava pra sair, como amigos. Era, e as vezes ainda é, uma das minhas 8475611 paixões platônicas .
- E aí? Que que tá pegando?
                Eu sempre falava alguma coisa idiota com ela. Acho que ficava um tanto nervoso.
- Então, hoje a noite, vem aqui em casa...
- Ok...
- Traz seu narguilé que o chá eu tenho.

                Eu olhei pro céu e falei “obrigado deus que eu não sei se existe”. Era hoje que eu ia pegar minha paixonite de infância e coisa e tal. Nós dois sozinhos na casa dela conversa vai conversa vem, fuque fuque nhéque nhéque. Algumas horas de diversão. SWEET LOVE ALL NIGHT LONG STYLE.
                Não preciso nem falar que fiquei as ultimas duas aulas pensando em como eu ia me dar beem essa noite. Quem tinha tempo pra matemática? Quando a futura mãe do seus filhos, que podem vir a ser concebidos ainda hoje, te espera de braços abertos (e pernas também) para o amor.
                Terminada a aula eu fui até a minha casa peguei o narguilé, troquei de camisa e peguei aquela pacote velho, meio amassado, que tinha comprado quase um ano antes. Sim, um pacote de camisinhas, sou um rapaz prevenido. Não quero ter herpes, ou coisa pior. Tinha comprado aquilo por que esperava me dar bem numa situação semelhante. Se ao menos eu me lembrasse de como aquilo tinha terminado (acabei a noite na mão, literalmente) talvez tivesse ficado em casa numa boa.
                Fui até a casa dela e toquei a campainha. A mãe dela atendeu.
- Marvin! Quanto tempo menino, você cresceu... entra entra a M tá lá em cima no quarto dela.
                Eu achei que ia ficar só com a M. acontece que a mãe e o irmão dela também estavam na casa
- E ai Marvin, senta ai que eu já to preparando.
                Ela tava sentada em cima da cama, preparando.
- Outro dia eu fui com esse cara, meio hippie, num lugar aqui em campinas que tem tipo, grande ocorrência de OVNIS é bem legal
- É mesmo.
- Depois ele abriu um pacore e tirou um camarão de lá de dentro... a gente dichavou e fumou lá mesmo, foi tipo, nossa, transcendental.
- Imagino. Não sabia que sua mãe ia estar aqui hoje, é de boa fumar aqui?
- É só soltar na janela.
                Ela ficou me falando de umas coisas que tava “estudando” sobre alquimia, quatro elementos, humores aristotélicos e mais um monte dessas babaquices. Depois ela trancou a porta e abriu a janela. Terminou de lamber a seda e me passou pra que eu admirasse sua obra de arte. Tem gente que pinta quadros e tem gente que finje que escreve poesia (eu). M enrolava.
                Olhei pra aquele beck meio babado pensando que aquilo era o mais próximo de um beijo que ei ia ter naquela noite.
                Ainda sim foi uma boa noite, engraçada por conta dos alteradores de consciência e de um modo geral cheia de papos acalorados sobre  qualquer coisa. Por volta das onze da noite eu achei que deveria ir embora. Falei que não ia chamar meu pai pra me buscar, uma que morava a menos de 1 quilometro da casa dela, duas que eu sempre gostei de andar.
                Era uma noite clara, em parte por causa dos postes de luz amarela em parte por causa da lua gigante e também amarela como um queijão gigante pendurado no céu. Um gol daqueles velhos quadrados com insulfilme preto (o popular chaveado) passou bem devagar por mim. Meu sentido de aranha me disse que era uma boa idéia sair correndo por ali, mas correr de um carro não é muito inteligente.
                O carro passou e foi embora, dobrando a esquina. Relaxei.
                Quando dobrei a mesma esquina, quase chegando em casa, o gol estava parado junto do meio fio. Dois homens do lado de fora. “Morri” pensei. Agarrei a caixinha do narguilé com mais força e continuei andando, não tinha por onde mais ir. Passei sem olhar para os caras como se isso fosse me tornar invisível.
-Ei mano
                Disse um deles. Me virei devagar esperando ver um canhão na mão de um deles.
- Ce derrubou isso.
                O cara segurava um papelzinho. Tinha o nome de algumas bandas que M tinha recomendado, nada demais
- Brigado aí
                Me virei me sentindo muito mal, como podia ter pensado besteira daquele cara? Um moço gentil que me devolveu o papel e, afinal, esse negocio de gentileza é muito legal...
- Ei mano
- Que?
                Agora sim, ele tinha um canhão na mão.
- O que tem na caixa?
- É meu narguilé velho...
- Passa
                Passei. O que eu podia fazer?
- Agora vaza.
                Vazei... E cheguei em casa uns 5 minutos depois. O susto tinha me deixado completamente sóbrio. Que diabo de noite furada...