segunda-feira, dezembro 30, 2013

31122013

Fazia um calor insuportável.
Você me mandou oi pelo celular.
Tentei responder, escrever um poema,
Ser agradável.
Mas fazia um calor insuportável.

Quando penso em tudo que passamos
Só vejo coisas que deixamos de fazer
Nos conhecer, nos odiar,
Etecetera

Essas coisas que nossos pais não deixaram faltar
E essas coisas que pareciam tão certas
Viajar no verão e ver as luzes de natal.
Ou qualquer outro tipo de programa

Apropriado para uma família exemplar.

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último poema do ano.
não te desejo felicidade em 2014
desejo que vc tenha exatamente aquilo 
que vc precisa
ainda que não seja o que
vc quer

sexta-feira, dezembro 27, 2013

FRED

                A língua tela tinha gosto de cigarro mentolado. Ela reclamou que meu lábio tinha gosto de sangue de novo.
                “Toda vez que fica frio e depois quente e depois frio e alguém fica mordendo meus lábios eles sangram um pouco. Minha pele é muito fina.”
                Ela me olhou como se não acreditasse o grande merda que eu era. O grande merda com quem ela tinha passado o dia todo fazendo sei lá o que. Mas também isso pode ter sido minha imaginação.
                “Eu tenho que ir” ela falou e virou o último copo de cerveja. Eu não entendi, mas eu acho que ela falou algo como “me ligue depois”.  Ela então saiu rebolando pela porta e todos os homens olharam pra ela. Ela usava uma saia de couro ou algum material parecido, dava vontade de tirar aquela saia o mais rápido possível. E eu sei que cada homem daquele bar, e até algumas mulheres, pensaram o mesmo que eu pensei.
                Fiquei lá me sentindo o maior merda do universo. Acendi um cigarro e um cara apontou a placa de ‘proibido fumar’ com a maior cara feia. Foda-se você eu pensei enquanto apagava o cigarro.
                Entrou pela porta um cara que eu conhecia muito bem. Seu nome -acho eu- era Fred. Me viu e sentou na minha mesa. Fred era, com certeza, o cara mais lindo da cidade. Ele ficou me olhando com sua cara linda sem dizer nada por sei lá quanto tempo até que falou um simples “oi Marvin”.  Fazia um calor dos diabos e eu esvaziei mais uma cerveja. “e ai Fred?”
                Fred tinha esse problema, apesar de ser o cara mais lindo que todos naquele bar tinham visto, ele não queria ninguém. Ele não era gay, nem era hétero. Não pergunte como um cara daqueles não queria comer ninguém mas era isso que ele sempre me dizia. “porra Marvin eu não acho ninguém que valha um segundo da minha atenção”
                Muito me surpreendia que ele estivesse me dando um minuto de sua atenção, mas eu acho q até caras como o Fred precisam de amigos pra beber às vezes.
                “você acredita em amor?”
                “Marvin, eu acredito no amor. Mas só para os outros, pra mim eu não sei”
                “Ela me disse que eu deveria parar de ler Bukowski e focar nos meus objetivos. Que desse jeito no máximo eu chego até um merda, ao invés do ‘merda-total’ que eu sou hoje”
                “E o que ela sabe sobre qualquer coisa? Ela me lembra meu pai. O velho era um merda e queria dar palpite na merda dos outros. Ei Marvin, não escute as pessoas, elas vão te botar pra baixo se você deixar.”
                “Fred eu realmente duvido que alguém te colocaria pra baixo. Tu parece um modelo de revista, qualquer homem ou mulher só teria elogios pra você. Ainda que você fosse um boçal, o que eu sei que você não é.”
                “Você acha isso, muita gente acha isso. Eu é que não consigo acreditar nessas coisas que você acabou de falar. Sei lá, sou estranho. Rock britânico e depressão acabam impregnando em você.”
                “É cara acho que sim. Você lembra do Luís, sempre confiante escrevendo poemas horríveis? Sumiu, nunca mais ví”
                “uma hora ele aparece pra te ler umas merdas.
                “Te vejo depois, se eu não morrer no caminho.”

                “A filosofia de vida de Marvin é que ele pode morrer a qualquer momento. A tragédia, ele dizia, é que ele não morre”

quarta-feira, novembro 06, 2013

título é coisa de viado

                O vento é frio e vai passando bem rápido pelas minhas orelhas. Depois gela meu nariz. Já sei que vou ficar resfriado por que meu nariz parece uma cachoeira e escorre litros. Eu espero pacientemente, sentindo cada volta que o ponteiro dá no meu relógio.
                Olho pro pulso e me lembro que não uso relógio há anos.
                Se eu tivesse um relógio ele diria que eu estou aqui há mais uma hora.
                Que estou aqui o dia todo.
                Que meu ultimo amigo de verdade foi um dinossauro ou um homem das cavernas que morreu há mil anos. Desde quando estou aqui esperando?
                Um minuto.
                Cinco anos.
                Eu matei o homem das cavernas quando ele tentou me comer atrás de uma pedra. Nada contra, eu só prefiro homens com pouco pelo. E pedras são duras demais.

                Normalmente eu tento ser direto em tudo que faço ou digo. Mas esse tipo de coisa não acontece quando me deixam esperando horas. Ela disse que passava em dez minutos no seu lindo carro vermelho, azul e de todas as cores do mundo.
                E eu penso em tudo que poderia estar fazendo se estivesse em casa naquele momento. Poderia terminar de escrever meu livro. Fumar um monte. Ou ficar deitado repassando meus erros. Cada erro que já cometi na vida. Você fica viciado nisso em pouco tempo.
                Escuto ao longe uma vozinha.
                “viado. seu merda”
                O vento passa pelas minhas orelhas e eu imediatamente lembro do meu pai. Se o velho estivesse vive ele seria como o vento. Tentando me levar pro outro lado, gelando minhas orelhas e me chamando de viado. Me reprovando.
                Foda-se você vento. Eu não vou me levantar daqui. Olho pro lado e vejo o corpo do caverninha. Não vai tentar comer ninguém agora né?
                Um carro para e eu entro correndo.
                “você tomou café demais né? De novo?”
                “você demorou mil anos. Eu fiquei em pânico”
                “como você tá hoje?”
                “com vontade de te chupar até ficar seca”
                “que?”

                “com saudade do meu pai e com a boca seca.”

sábado, novembro 02, 2013

02112013

Eu Passei o dia sentado
Ouvindo Pavements, Weezer
E um monte de música velha
Que me dá um certo sentido diferente
De tudo aquilo que você me aconselha

À noite, no carro
Eu sempre tento freiar
Mesmo estando no lado do passageiro

Você dá risada e diz pra eu não me preocupar
 Não dá pra passar uma vida inteira sem te amar

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Achei um suéter sensacional pra vender na internet. Qual não foi minha surpresa quando eu descobri que só tem tamanho P feminino. Fiquei puto pra dizer a verdade. Segue a foto do suéter.



Me imagina andando assim pela rua? Eu me apaixonava fácil.
Vou tentar convencer minha mãe a fazer um desses pra mim.

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Parece que é fisicamente impossível tentar manter qualquer regularidade com esse blog. Desculpa.
Pelas minhas contas tem 6 pessoas que leem isso aqui. Eu devo uma explicação à vocês?
Na verdade não.

domingo, setembro 01, 2013

241011


As nuvens se calavam
Frente ao medo da fumaça que subia
O mar é sempre tão grande
Exceto pra aqueles que sabem o caminho

Os irmãos vagavam pelo oceano
Se perguntando, enquanto olhavam
O céu, o que fariam e
Quem levaria o troféu?

Agora eles pouco dormem
Não sabem o que farão quando
Os mastros se acabarem
Mas os que precisam ser enforcados continuarem
A se multiplicar.

Agora eles veem.
Enquanto monstros nadam nesse mar
Que o sangue é vermelho, tão vermelho.
Alguns homens são brancos

Mas o mar já esta negro
Daquilo que falta para os vampiros
Quando as nuvens choraram
Eles perceberam que já era tarde

E nunca mais um tambor
Ou violão soará

Em gloria aos que se foram.

Ultimamente está fazendo um frio do caralho.


                Mas eu tenho andado por aí só de cueca. Esperando a deixa, caso alguém me pergunte: “tá com frio não?” Eu respondo entre os dentes pra aquela menina dos olhos bondosos.
-Olha minha querida, ultimamente eu não sinto porra nenhuma.
-Sou uma máquina querida... Tenho uma epifania atrás da outra. Mas fiz questão de esquecer todas. Tem gente que diz que nós somos a epifania de Deus. Eu me pergunto então se é de outra epifania que eu preciso.
                É divertido ouvir as risadas. Parece que é um riso nervoso. Desesperados. É isso que eu acho. Acho que todos eles tem epifanias diárias também.
                Você tem moça? Acho que não.
Mas também já me enganei antes.
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                Acabei esquecendo o que queria escrever.
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                Enfim. Ultimamente eu não sei se tem vozes na minha cabeça ou se eu sou a voz na cabeça de alguém. Se você ouve vozes minha querida, deveria buscar ajuda especializada.
                Eu ainda não sinto frio, mas a enfermeira trouxe um cobertor mesmo assim. Minha memória anda péssima então eu não me lembro do nome da enfermeira. Sabe que outro dia vieram me lembrar que minha vida anda uma merda. “de cueca numa sexta à noite. vai botar uma camisa aqui faz frio”.
                Talvez você devesse falar com algum profissional da área.
Querida você tem lindos olhos. Parecem bem cansadinhos de tudo que já viram... Mas ainda têm aquele brilho que espera as coisas novas de forma ansiosa. Você tem olhos bondosos.
                Mas isso logo muda.

                Eu sou um profissional da área e você não parece nada bem.

                É preocupante o diagnóstico: todos que estão vivos aqui hoje um dia estarão mortos. Mesmo assim só tem um jeito que eu escolhi... um jeito que eu não quero fazer uso na hora de morrer. Digo, só não quero morrer de um jeito: Asfixia Auto Erótica.

                Isso seria edificante demais pra mim.

18032013

segunda-feira, agosto 26, 2013

07112011

Poemas de Amor
Rabiscados em papéis
Que lotam latas de lixo
E esvaziam bordéis

Ela disse que se fosse escrito
Com tinta duraria pra sempre
Mas na pele
Eternidade é um mito.

Pois bem, Amores mitológicos
E poemas escatológicos
Podem até passar com o tempo
Até por que tudo passa

E tudo também é temporal
Então nos resta o terreno
A a flor que teima em ficar em
Pé no meio do vendaval

Mas é difícil pra caralho
Ficar em pé depois do segundo trago
Ah! deixa tudo pra depois

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Eu acho que já postei esse poema. se vc já leu esse poema comenta ai que eu tiro depois. mentira nem vou tirar to nem aí.

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atrás desse papel estava escrito:

Pobre Joaquim!
Foi-se dessa e
Não mais torna
Agora não vai mais
Encoxar o pano branco
Talvez encoxe a nuvem branca...
Mas não mais encoxará o pano do começo
Do ano.

nota: Joaquim era o nome do meu cachorro que morreu

sem data 2011 talvez

E esse meu jeito romântico
Werthedor de ser
Fico olhando o mundo
Com vontade de não mais morrer.

Sentado na cama
Ou na quadra ou na mesa
Olho várias fotos pensando:
Que feliz serias tu
Se o Papai Smurf aí
Fosse eu!

Mas eu sei, ela sabe
Ele sabe, só você não
Sabe dessa minha vontade
De chegar em você e falar:
Suave?
Só, mas na boa... to de boa de ficar sozinha

E que o dia que eu
Chegar no ponto de ver
Você namorando um belo rapaz
É o dia que vou

Tomar um pote de
Aguarrás
E dá o cu quem
Fica pra trás

Estou citando Mário de Andrade (fica a dica)

terça-feira, julho 30, 2013

Analisando meu bloqueio de forma racional.
                Bom dia Marvin. Eu estou com um bloqueio terrível e eu resolvi, mais pra fazer alguma coisa nesse fim de férias, enumerar os motivos disso.
Bom o ponto alto da minha produção foi em 2011.
Em 2011 eu estava: (não está em ordem cronológica)
-apaixonado por uma menina lésbica.
-estudando que nem um maluco pro vestibular.
-vagabundeando que nem um mendigo pq não queria passar no vestibular.
-fumando muito (4 cigarros)
-comendo o pão de queijo mais caro de Campinas. Todo dia.
- sofrendo com a morte da minha calopsita.
-sofrendo com a morte do meu cachorro.
-lendo bukowski .
-sendo blasé com umas meninas que eu achava que não ligava (mas hoje ligo(que bagunça)).
-sonhando com a faculdade e como ela poderia ser um lugar melhor.
-sonhando com a USP e como eu ia ser melhor que os outros por ter passado lá.
-lendo livros sobre roteiro pra tentar ser roteirista (talvez ainda esteja no plano (tô na página 117 do manual do roteiro do Syd Field)).
- eu costumava passar as tardes de sexta na minha vó. Pq tinha aula de inglês, sexta a noite.
-eu tava sempre andando pela rua à toa.
-fumava só cigarro de menta (super gay eu sei)
-mais pro final do ano eu me apaixonei por outra menina que ninguém sabia se era lésbica ou não. Hoje ela namora um cara.
-também foi o ano que eu fiz mais coisas malucas. Prefiro não contar nenhuma pq o leitor(a) vai ficar ou chocado, ou não vai acreditar. Não quero que você deixe de acreditar em mim pois é ai que morre o escritor.

Fim.

  

segunda-feira, julho 29, 2013

30072013

Eu percebi que entendia cada coisa que você dizia
Mesmo sem entender nenhuma palavra que você soltava
Conversamos por muito tempo escrevendo numa folha do
Meu ou do seu caderno.

Quem se importa de quem era o caderno?
Meus amigos ficavam todos malucos com
A gente passando bilhetinhos por cima do campo de futebol
Atrás do pátio ou pela estante da biblioteca.

Você fala de coisas que eu não entendo.
Mas mesmo quando se cala eu compreendo.

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Troco metade de todo o meu dinheiro por
Um cigarro, e um beijo seu.
Dizem por ai que fumar faz mal
E que o amor teu nunca vai ser meu
Deito então no meio da rua, meus joelhos doem.
E como não tenho como voltar pra casa e,
As pessoas não podem saber que fumo,
Durmo e sonho que sou teu.
Em sonho fumante nenhum já morreu.

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