sexta-feira, outubro 28, 2011

Um Poema Escrito Com A Mão Esquerda



Meia luz e cadeiras espalhadas
Ninguém senta naquelas 
E fica a olhar o telhado
Cheio de telhas quebradas


Milhões de poemas são lidos
Milhões de rostos serão esquecidos
E pra aqueles que consideram demais as ações 
Deveriam pensar em comprar colhões


Mas pergunte você a qualquer homem
De bem e ouvirá deles também
Que nunca viram uma 
Tão bela assim


Poderia dizer que a Lua tem inveja de ti
Oh bela!
Mas isso seria um clichê 
E não cabe qualquer citação


 Pois nunca existiu alguém como você.



quarta-feira, outubro 12, 2011

11092011


Portas abertas
Portas que fechei
Juntei tudo
Mas nada levarei

Perdoe-me Pai
Perdoe-me mãe
Porque sei que pequei
Embora não saiba por que

Pode falar
Conversar
E tentar me convencer

Embora não veja motivos para ir
Não existe nenhum para ficar

Sei que juntos estamos só
Que voltaremos ao pó
Mas eu não quero estar só
Também não quero sua dó

Para aqueles que nada dá certo
O certo é nada, e
Nada é certo

Eu me agarro a areia
E minhas unhas até sangram
Mas perdoem-me
Não existe nenhum motivo para ficar

segunda-feira, outubro 10, 2011

10102011

Deito com os pés pra cima
Vigio as estrelas
Mas elas só ficam lá...
Paradas com os pés pra cima

O que me impede de me cortar
É que a faca mais próxima está na cozinha
E a cozinha mais próxima  fica mais longe
Que o meu braço pode alcançar

O que me impede de ter você
Eu acho que nem eu sei
Mas acho que tem muito a ver

Com aquele meu hábito
De vigiar estrelas com os pés pra cima
Com os pés pra cima

sexta-feira, outubro 07, 2011

13092011


Toda vez que o dia nasce
E o ar da manhã eu respiro
Eu lembro e tento esquecer
Como foi que aqui cheguei

Aqui na existe um motivo
Não há um incentivo
Vivemos todos
Esperando

Esperando Esperando Esperando
Pouco a pouco...
É estranho em tudo pensar
Mas quase nada conseguir falar

Aquele cheiro de mato queimado me faz rir
Aquela falta que faz você, eu até esqueço.
Esqueço tudo tudo tu!

Mas no outro dia tudo passa
E o ar da manha eu respiro
E você eu fico esperando

Uma Terça Qualquer


Eu tava sentado numa cadeira mandando mensagem pelo celular. Ela veio e encostou na parede em frente a porta do banheiro e ficou lá olhando o nada. Teve uma hora que eu olhei pra Ela e Ela olhou pra mim e nossos olhos se cruzaram. Acho que eu vi a alma dela. 

-Mensagem enviada-

Fiquei ali sentado mais um tempo olhando uma mosquinha que voava por ali, até que eu levantei e fui até Ela. E disse "sabe, faz um tempo  que to te vendo aí parada então eu tava pensando, sabe que tem outro banheiro lá em cima" eu apontava a escada.
"Vai se foder Marvin" eu sorri e Ela fechou a cara
"Você sempre diz merda na hora errada e eu odeio isso" Ela virou a cara e continuou "eu odeio você"
Meu celular começou a vibrar, mas eu achei que era melhor ver a mensagem mais tarde.
"Só queria te dizer que não precisa ficar aí com cara de idiota esperando alguém, que tá aí faz uma era. deve tar cagando...”.
"Porque você nunca falou comigo?"
"Sabe como é, nunca teve uma oportunidade...”.
"É porque você é um idiota viado" Meu celular vibrou de novo.
"Um viado, eu passava do seu lado todo dia e você nem pra falar oi."
"Sabe como é, eu sou meio tímido" Ela olhou pra cima e disse que era melhor eu ir embora. Eu disse que ia, e fui mesmo. Olhei pra trás enquanto andava e era tudo diferente, já não tinha espaço pra mim naquela vida.
Ela casaria, trabalharia, teria dois filhos, viajaria pra Europa e reclamaria da antipatia dos franceses, da grosseria portuguesa, voltaria e compraria um Hyundai. Pagaria professor particular de matemática pra um dos filhos, e eles cresceriam e teriam outros filhos que iam crescer e ter outros filhos. Logo todos morreriam e todas as historias que traziam seria esquecidas.

Enquanto isso eu ficaria sentado numa cadeira mandando mensagem pelo celular.

sábado, outubro 01, 2011

numero 3

"O bom de ter amigos é que você nunca está sozinho. O ruim de ter amigos é que você nunca está sozinho."

quarta-feira, setembro 14, 2011

Foi quando mergulhei mais profundamente
No meu ser, ou no seu, tanto faz
Que percebi verdades
E falácias que continuavam ocultas apesar de tudo

Se o tempo ajuda? acho que não.
Mas enfim, cada um leva aquilo que pode

Andando pelos túneis,
Dobrando as esquinas e subindo
As escadas, de origem incerta
Achei pouca coisa

Que gostaria de compartilhar
Desde que saí do meio maternal
Comecei a decair, foi o que disseram
Os pequenos no canal feérico

Aquele frio férreo que sentes
Subir pela perna nas manhãs de julho
Não é culpa do inverno (embora outras coisas sejam)
Sou eu lhe dizendo pra nunca esquecer,

Mas lembrar sempre, que é preciso deixar morrer

quinta-feira, setembro 08, 2011

numero 1


"sobre a vida? se na melhor das hipóteses você vai se fuder pra caramba e aí vai morrer. Na pior das hipóteses você nao morre"

sábado, setembro 03, 2011

numero 1


Eu fechei o programa sem ter escrito uma linha. Nunca trabalhei muito bem com prazos, nunca trabalhei muito bem com ressaca. Não que eu trabalhe muito de qualquer forma... “que seja!” Eu falei. Passei os olhos pela mesa procurando um cigarro, mas não achei nada, só um monte de papel rabiscado e umas embalagens vazias.
Todo mundo falava que eu ia morrer de fome se virasse escritor, e que eu ia me arrepender. Acho que essa é uma das únicas coisas que eu fiz de que não me arrependo. Mesmo agora que não consigo escrever nenhuma letra.  Continuava procurando um cigarro e pensava se Tchekhov também ficava sem ideias.  Achei até bom não ter mais cigarro, precisava parar de fumar.
Para de fumar me alimentar bem e parar de cair de bêbado por ai. Tudo que eu precisava pra viver outros 30 anos... E lá eu queria? É bem verdade que a idade da morte Cult, 27 anos, já tinha passado.  Mas esperar outros 27? Sei lá... Ser o “escritor brasileiro mais contraditório” ou “o pior exemplo possível” já não parecia tão divertido... Bukowski que o diga.
A verdade é que tudo que eu queria era ter uma vida normal, casar ter dois filhos morar num condomínio fechado e brigar no sábado de manha por que ainda não entregaram o jornal. A noite ver futebol enquanto minha mulher faz a janta e depois beber uma cerveja e admirar tudo que eu “construí” com meu emprego em uma multinacional, o futuro brilhante dos meus filhos.
“tem qualquer coisa em escrever poesia que leva um homem pra beira do abismo”
Eu olho pra baixo do abismo e não vejo o fundo... Estou bêbado dançando frevo na beira dele. E nada parece importar. Se eu pudesse voltar até o dia que decidi escrever minha primeira poesia e para antes de começar. O que seria de fato diferente se você pudesse voltar atrás? Se você pudesse voltar atrás e mudar algo, não existiria motivo em tentar voltar atrás e por isso você nunca voltaria. Achei um cigarro atrás do computador.