terça-feira, janeiro 27, 2009

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Outono de 2017
El Segundo, California.

Entrou na mansão por uma porta lateral, todas as outras estavam trancadas. Deduziu que naquela casa vivia um cachorro, pois viu o cachorro morto ali no canto. Abriu a outra porta do canil e encontrou o jardim abandonado na mansão abandonada.

O que viu?
Várias mesas caídas e cadeiras quebradas,
Viu também a estatua de um anjo
Com as asas quebradas como se fosse para não fugir.

Quando criança adorava explorar lugares abandonados, agora que o mundo era um lugar abandonado, já não via tanta graça. Andou até a estatua do anjo e olhou-a de cima à baixo. Nada de especial.entrou na casa, sem perceber que alguém o observava da janela do sótão.
Ao entrar percebeu logo de cara uma casinha de bonecas, jogada em um canto. Ao lado desta oque parecia ser sangue. Já enegrecido pela ação dos anos. Andou até a cozinha, a maior cozinha que já vira. Com vários vidros de tempero jogados pela bancada. Achou então parte do que estava procurando: um pouco de comida enlatada, na dispensa saqueada varias vezes ao longo dos anos. Colocou a comida sobre uma mesinha. E continuou sua busca.
Entrou pela porta do porão meio apreensivo. Desceu uma escadinha de dez degraus, e acendeu uma luz. Que burrice, já não existia niguém no mundo porque as luzes se acenderiam? A luz se acendeu. Ouviu então um gemido alto seguido por um zumbido metálico. “AAAH!” gritou. Era só um gerador velho que alimentava a casa. Entrou no porão agora não tão escuro. Resolveu pegar a espingarda que estava na sua mochila, junto as latas de comida, antes de continuar. Voltou até lá e só encontrou uma lata, de feijão, caída em baixo da mesa. “ merda agora to ferrado” pensou. BAM escutou uma porta se fechando no andar de cima. Procurou uma arma improvisada para se defender, só achou uma velha faca e uma caixa cheia de pregos, pegou os dois e subiu lentamente a escada.
O zumbido do gerador parecia cada vez mais longe. Já fizera aquilo várias vezes, não entendia o porque do nervosismo. Encontrou todas as portas do segundo andar abertas menos uma. Nesta porta ele viu vários arranhões e alguns buracos. Também viu tábuas tampando outros buracos. Espalhou os pregos pelo chão, próximo a porta e sacou a faca, e deu um chuta na porta. A porta foi lançada em direção a uma janela de vidro e só parou quando já estava do outro lado da rua.

O que viu?

O papel de parede que outrora era de florzinhas
E nuvens agora estavam vermelhas, e rasgadas.
Aonde existia uma janela agora era um buraco amarelo,
Por causa do crepúsculo, e vidros estilhaçados.
Viu também uma menina

Andou até a menina, esta parecia bem. Pelo menos não era mais uma...
“Ei menina...”
“Mamãe falou para deixar trancado... mas mamãe era uma burra – a menina disse com os olhos inexpressivos-mamãe disse”
“ Trancado oque? Voc...”
“Ai a mamãe morreu né, hehe morreu. Mas eu deixei lá. Não dava tempo agora ta solto hehe” Disse ela apontando para um porta aberta. A porta levava para o sótão. Uma lata de salsicha veio rolando de dentro da porta.
“Achei”
Pegou a faca, olhou para a menina que continuava a falar sem parar. E começou a entrar no sótão
“PAAAAAAI, -gritou a menina – Você tem visita”
“O que?”
Antes de poder se virar e olhar para a menina uma sombra pulou de dentro do sótão e o jogou na parede em frente à porta. O homem se levantou a tempo de se esquivar de outro ataque. Viu então que a sombra era um homem enorme com pelo menos 2 metros de altura. O homem tinha cicatrizes por todo o corpo e uma bem grande que ia da sobrancelha até o umbigo. Mais uma vez esquivou-se e parou em frente ao buraco onde havia uma janela. Esperou ate que o homem estivesse preste a acertá-lo em cheio e pulou para a esquerda. O homem caiu do segundo andar provavelmente quebrando um braço.
Não tinha muito tempo até que o braço dele se regenera-se, com um pulo entrou no sótão e encontrou a sua mochila toda revirada, nem sinal da espingarda.Procurou pelo sótão
E finalmente a encontrou em um canto. Apoiada em um sofá velho. Escutou o homem subindo as escadas e correndo até o quarto. Engatilhou a espingarda. E ouviu oque queria
“AAAAAAAAHHHHHH” gritou o homem ao pisar nos pregos espalhados pelo chão. Aproveitou e correu até a porta onde encontrou o homem gemendo com os pregos enfiados nos pés, mirou no coração, mas achou melhor atirar na cabeça. Tum voltou a mirar no coração. E Tum. O homem morreu, no corredor. A menina vendo o pai caído, correu e se jogou da janela. O homem como de praxe, voltou a ser o homem raquítico que sempre foi.
O caçador arrastou, o corpo até um quarto. E largou o presunto lá mesmo. fechar a porta pôs a mochila nas costas e desceu até o porão.
Lá encontrou uma garota de 15 anos talvez, esperando embaixo da escada. Como disseram que estaria.
“Lucy?”
“sim..” disse com uma voz que há muito não deveria ser usada. O caçador estendeu a mão para ela que agarrou com uma força que não parecia ter. Os dois saíram, e andaram pela rua abandonada. Montaram na moto velha, do caçador e rumaram para a próxima cidade.

Por Robo Marvin

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