quarta-feira, julho 25, 2012

25072012


Deitado  em cima do armário
Escrevendo em um caderno virado
A lua ilumina como um candelabro
E o cão lá fora late irado

Um homem passa e me observa
Como o cão a raiva ele conserva.
Procuro a arma que trago no bolso
Acho apenas uma caneta 

O homem vai embora levando minha inspiração
Ainda tento gritar
Pega ladrão! Pega ladrão!
Mas é tarde 

Mais tarde ainda uma linda mulher vem me visitar
Com um copo de Álcool na mão:
Um motivo para não mais amar

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Feliz dia do escritor!


sexta-feira, junho 29, 2012

27062012


Peguei um monte de pacotes
De camisinhas de todas as cores
Fui pro caixa pensando:
"O que se faz com camisinha que tem sabores?"

Já passou muito tempo desde o primeiro dia que
Vi você lá no caixa contando moedinha.
Tão bonita com um monte de cabelo caindo na cara.
Que linda sua franjinha!

Chegando lá você conta
Um, dois, três...
Deve se perguntar pra que tanta
Camisinha se eu só tenho um pinto

"são 27,90."

Antes de pagar leio no rótulo
Que o tamanho é médio.
Olho-te bem nos olhos e pergunto
Como que para quebrar o tédio.

"Tem tamanho maior?"

Tem jeito melhor de se paquerar na farmácia:
Que se gabar do tamanho de sua piroca?
Podia até te comprar uma flor...
Mas ai não seria tão poético esse
Nosso encontro.

Sinto uma tensão sexual crescente.
Me viro e, sozinho,
E levo as camisinhas tamanho médio mesmo
Largo tudo no canto da minha sala
E ligo a TV no canal de desenhos

Sem Data




Um sol amarelo brilha sobre uma terra amarela
Um menino amarelo riscando o chão
Escrevendo "amarelo hoje, amarelo ontem
E amanha também por que não?"

Lá de cima um urubu observa tudo
Se a vida um dia cair, levantando poeira amarela
Ele quer ser o primeiro a comer a carne amarela

Tirando 3 coisas é um mundo amarelo
O céu azul
O urubu preto
E o calor vermelho

Tirando 3 coisas é um mundo estéril



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foto emprestada do site:  http://beiradeestrada.zip.net/arch2007-11-18_2007-11-24.html

segunda-feira, junho 11, 2012

Alagoas.


                E foi num devaneio terrivelmente longo que isso me ocorreu. Estava eu lavando louça pensando o que fazer com a unha do dedão do meu pé que vinha ficando amarela. Cada vez mais amarela.

                Me perguntei em voz alta: será que essa unha vai cair?

- O que está dizendo Meretrício? Era assim que elas me chamavam lá naquele inferninho perdido no meio de Alagoas.

- Ora ora não é nada que estava dizendo não! Se me pego pensando em voz alta logo me reprimo.
-Nunca, meretrício! Nunca se reprima, não aqui nessa casa, pelo menos.

-Eu sei minha querida, estava louco. Foi apenas um distúrbio. Enfim, o bom filho a casa torna e estou de volta à essa casa de luz vermelha depois de quase um ano de reclusão! Venha  Juliana minha morena sedutora que temos muito tempo a recuperar! Para a alcova!

-Pera lá Meretrício! Acha que vai se livrar de mim assim tão fácil?

-Ó Ana minha loira! Se seus cabelos brilhassem apenas um pouquinho mais que isso o sol teria inveja e a lua ficaria envergonhada perante tua beleza! E olha que aqui nesta casa de luz vermelha tudo é sempre penumbra, oculto pela sombra... Imagino como você ficaria linda ao por do sol numa praia perdida, eu você e a nudez!

                Passei a mão pela cintura de Ana sem soltar Juliana e comecei a me encaminhar para o quarto quando senti que era observado.

-Júlia meu amor! Quanto tempo sem vê-la, e esses meses não conseguiram sequer diminuir vossa beleza! Pelo contrário, está mais bela que antes! Pergunto-me se um dia deixara de ficar mais bela a cada dia que passa! Seu cabelo vermelho como o fogo do amor que arde no meu coração por todas as coisas belas do mundo é mais belo que tudo que existe acima do nível do mar! Poderia dizer que é mais bela que todas mas isso seria uma injustiça para com as estrelas que tentam imita-la em sua perfeição! Sinto o tempo que passei longe de teu sorriso como sentiria o tempo se ficasse longe do sol ou da agua num dia de verão...

-Por que ficou fora tanto tempo meretrício?  Achamos que tinham se esquecido da gente

-Nunca minhas queridas! Poderia esquecer o meu nome, do rosto de mamãe e do caminho de casa mas nunca esqueceria minhas 3 deusas.

-Então por que ficou quase um ano longe de nossa cama?

-Ora eu tinha coisas demais para fazer, e quando as terminava estava tão esgotado que nem um bom tratamento poderia dar para vocês! Bem sabem que fiquei casado...

-O QUE?

-Pois é contraí matrimonio nesse ano que passou e quase não consegui me livrar dessa armadilha que é a vida conjugal. Por sorte me libertei e cá estou pronto para gozar a vida em grande estilo. Por acaso não haveriam de ter um charuto ai? Não? Bem vamos para alcova então.

-Espere meretrício... com quem passou esse tempo casado? Precisamos saber.

-Ora isso é pouco importante.

                Comecei a deslizar a alça da blusinha de Ana e a levantar a saia de Juliana, mas elas me impediram de continuar.

-Com quem?

-Ora bem sabem que eu sou um poeta, um espírito dedicado inteiramente a poesia, à bebedeira e a incentivar a anarquia e promiscuidade entre meus convivas!

                Como elas esperavam mais alguma coisa eu simplesmente remendei

-Casei-me com minha poesia enfim...

-O que?

-Pois é passei um ano reunindo escritos... Para enfim vir aqui me deleitar de vossa companhia! Tão doces senhoritas...

                Não pareciam nada convencidas mas, mesmo assim, me entregaram uma garrafa de jurupinga que eu tomei contrariado. Depois disso é tudo um borrão e uma mescla de pernas e pelos pubianos ruivos, negros e loiros.

                Acordei deitado em minha cama com um pano de prato enrolado no pescoço e uma travessa suja de molho branco ao pé da cama. Minha mãe não estava muito feliz com a situação.


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um conto que ofende a família brasileira.


segunda-feira, junho 04, 2012

04062012 II


Sonhei um dia que uma blogueira obscura
Tinha me citado em uma postagem
Me comparando com Pessoa com toda camaradagem

Mas que loucura!

E depois o isqueiro acabou
E a caneta não tinha tinta
E tive que beber a gasolina do carro
Pra não morre sufocado

Que absurdo!

E aquele garoto burro que não sabe escrever
Disse que não fiz nada no trabalho...
Que a minha ideia só quebrou um galho...
Pra você ver entediado leitor, que tipos pouco
Dignos de terem sido ejaculados eu tenho andado

Que azarado!

quarta-feira, maio 16, 2012

16052012



Tenho certeza,
Mais que certeza
Que já tivemos essa conversa antes
E muitas vezes! Antes mesmo
De ficar tão frio
Que até dava pra brincar na piscina

Qual! Antes mesmo de você
Mandar aquela foto sua...
Aquela foto maldita que prendeu minha atenção
E por horas eu não pensei em  mais nada

Só você deitada em um gramado
E o sol refletindo tudo em sua pele
Risos, cabelos ao vento todos emaranhados
Mais risos... e nós

Se misturando aos cabelos da terra que o
Homem burro insiste em chamar de grama.

Se perdi a conta de quantas linhas escrevi sobre você
É tudo culpa sua, pois também perdi a conta
Quando tentei contar pro meu amigo
Por que gosto de você

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Aquele primeiro da série PMRBQ... algo como poemas muito românticos de baixíssima qualidade. Mas esse eu até que gostei.

07052012



Sinto falta da minha loucura
A convivência me fez o mais conservador
Dos fascistas.

Há um preço alto a se pagar pela loucura
Depressão dor de barriga e garganta queimada
Mas o tédio e a mesmice do dia-a-dia
Ainda vão prender meu ventre e entristecer meu sorriso moralista e meu membro, 
Cansado da falta de sexo, encolherá até
Entre meu intestino e estômago descansar

E as queimaduras. agora de cubanos, 
Me incomodam tanto quanto a mancha na minha calca de pano

Me enoja inda mais a visão de uma
Mulher plastificada, tentando virar boneca, que a de uma criança abandonada
Se ao menos a boneca wannabe fosse brincar de casinha com a menina de rua
Minha missão estaria cumprida.

Apagaria meu charuto no cinzeiro que
Ela chama de coração. Acenderia o pavio
Dessa bomba cardíaca que insiste em bater
Apesar de tudo

Explodiria feliz, em meio a pó de giz
Pensando "que foi feito daquele anarquista
Que brincava recortando da revista, a cadeira mais bonita?"

segunda-feira, abril 23, 2012

2104212


E aquele dia que você
Resolveu que ia ser muito foda
Tatuar um símbolo que você desconhecia
O significado no dedo da mão direita? Não
É bizarro como o mundo da voltas sem nem sair do lugar?
Sem nem afrouxar o nó que prende nosso pescoço ao poste da padaria,
Como o cachorro que ficou esperando a tia comprar uma coca
Pro menino de rua. "Tia me compra uma coca ou risco teu 
Carro de tia." Então vê se aprende o que isso ai significa
E compra uma coca pra mim se não
Eu risco sua bicicleta Caloi
Oito marchas. 


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Brincando com a forma desse "poema"

quarta-feira, abril 18, 2012

20x40

Desenhei seu rosto num painel de 20x40
Coloquei cada detalhe seu no papel
Procurei colocar com perfeição cada defeito seu
Mas mesmo num painel tão grande
Do tamanho do céu,
Nem um erro pode-se aceitar

Em seus um metro e setenta
Que andam perdidos em algum motel
Com outra mulher ou com algum amigo meu.
Oh! Ando tão feliz que pareço dançante!
E sentado em uma cadeira me chamam de réu
Acusado do crime de não mais chorar

quarta-feira, abril 04, 2012

03082011


Quando nasci ganhei uma caixa
Dentro dela tinha um coração
Não era muito bom, mas era só meu.

Por muitos anos procurei outra caixa como a minha
Mas nas caixas que olhei nada encontrei,
Nada tinha. Eram vazias.

Um dia, no meio da escuridão
Ouvi uma batida que parecia com a minha
Que era fraca,
Mas me pertencia

Sua caixa eu encontrei
E não era vazia.
Tinha um coração que batia
No mesmo passo que o meu

E, embora todos digam o contrário,
Só dentro da sua caixa me sinto livre

É só dentro dela que posso ser feliz e esquecer
O mundo de caixas vazias
Que existe lá fora

Mas que tristeza a minha
Quando percebi
Que nem quando entrava na sua caixa
Seu coração
Disparava

Enquanto o meu quase parava
O seu batia sempre, forte e imponente
E sempre tão só