quarta-feira, novembro 21, 2012

12112012 - IV


Vejo um bando de malucos
Vestindo camisetas e
 Reclamando do peito branco
Que nunca viu a cara do sol

Outro dia te vi comentando
Alguma coisa com sua amiga

“olha que sujeito esquisito!
Anda bem no meio da rua
E uma meia está esticada
Mais ou menos até a cintura”

Eu não entendi na hora...
E ainda não entendo
Alguém, cheio de poder,
Vem me pedir tributo
Como uma puta ou
Um policial corrupto

Cansei de economizar xingamentos!
Quero seu mel na minha carne crua
Mas, faço qualquer rima e você aplaude.
Se valoriza mulher!

E peço pra deus, o rei da porra toda,
Que as bocas se calem e parem de ejacular opiniões
E a loucura me ocorra 

quinta-feira, novembro 15, 2012

12112012-I


Dessa noite já não espero mais nada
Guardar os sonhos
E empurrar meus medos da escada
Alguém vem tentando me
Contar os sonhos que teve...
E depois reclamou por que precisei
Descansar os olhos por um momento

Ora, entenda
Tenho dormido tão pouco
E tentado tanto
Que fico sem tempo para
Seu lamento.

E essas palavras escrevo
Só por escrever
Na esperança de ninguém
Nunca ler

Pois os sentimentos estão
Por demais desgastados
Largados no chão
Vazios como que chupados,
Enrugados e reciclados.

12112012-II


Está marcado na pele
E no fundo dos olhos
Daqueles que amam, mas
Nunca vão atrás

Coisa estranha:
Os meus dedos se acendem
Para que eu possa contemplar o breu
Dessa exitência. Ardem
Meus ouvidos quando questiono
Essa sua duvidosa ausência.

Até quando
Deus
Até quando?

Queria ter as certezas dos
Que me cercam mas, a
Única certeza que tenho é
Que se saltar por uma
Janela e por ventura
Errar a queda vou sair
A voar como um balão de ar.

Fazer sombra no banho de sol
Daqueles gordos tetudos que
Buscam o remédio no consumo,
Como eu busco a gratidão de um
Milhão de putas escusas.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Sonhos e Poemas



            Marvin encontro Luiz em um bar qualquer. Era sábado à noite em campinas. Na verdade era quase domingo, então o bar estava ligeiramente lotado. Uma porção de perdidos fuma cigarros na parte externa. Acendiam um atrás do outro, alguns nem tragavam, outros seguravam no pulmão por tempo demais até começarem a tossir.
            Tem uma espécie de segregação com as pessoas que escolhem ir fodendo seus pulmõezinhos aos poucos. Como se esses fossem 'dalits' ou coisa do tipo. Tem que ficar lá fora na noite fria, fumando o mais rápido possível pra tentar voltar pra mesa antes da história interessante que estão contando acabar..
            No meio de todos aqueles fodedores, Marvin e Luiz estavam sentados. Cada uma com uma cerveja na mão e um monte de merda presa dentro do peito.

-Pois é Marvin a vida não anda fácil pra quem está vivo.
-a vida não tá fácil nem pra quem tá morto.
-oi?
-você embaixo da terra sendo comido por um monte de vermes. Imagina? Vermes no se u cérebro, subindo pelos seus intestinos. Comendo aquilo que é só seu. Sua merda coisa e tal.
-vejo que você tá tão na bad quanto eu.
-sempre
-isso é bom. Ter com quem compartilhar.
-acho que sim
-cara eu mandei um poema meu pra porra duma revista.

            Luiz se dizia escritor. Escrevia péssimos poemas e contos horríveis. Mas fazia questão que todos lessem seu blog. “comenta lá nesse poema que eu escrevi sobre os fiapos do meu umbigo”

-e ae?
-bom, nem foi publicado.
-que merda

            Cada um tomou um gole da cerveja.

-outro dia eu tive um sonho.
-era um bom poema.
-um sonho bizarríssimo...
-acho que todo mundo teria gostado se tivesse sido publicado.
-eu sonhei com essa amiga nossa do tempo de escola. Lembra dela? A Júlia?
-uma vez eu escrevi um poema sobre a Júlia
-gostosissíma.
-mas acho que nem cheguei a mandar esse pra ninguém.
-belos peitos.
-mas aquele que eu mandei era realmente bom.
-então. Meu sonho com ela...
-as vezes eu tento imaginar se os grandes também eram ignorados em seu tempo.
-bizarríssimo!
-os grandes?
-o sonho.
-ah!.

            Marvin tomou um gole da cerveja do Luiz já que a dele estava seca.

-foi assim, no sonho, era de manha cedo. E a gente tava na escola. E ai a Júlia chegou. Comendo um croissant enorme. Do tamanho de uma baguete eu acho. Do tamanho da porra de um braço. Um braço de criança de presunto e queijo. Um verdadeiro estouro. E ela foi comendo aquela coisa enorme, colocando quase metade do croissant na boca só pra depois tirar e morder a pontinha. Eu não sei como tudo aquilo cabia na boca dela, mas eu estava tentado a descobrir. Então eu falei pra ele “uau Júlia, eu não sei como você engole tudo isso mas eu realmente queria que você me mostrasse o que mais você sabe fazer!” e ela respondeu que podia me mostrar mais tarde. Cara. Foi daora. Aí meu outro amigo apareceu do nada e gritou “cara ela tá tããããão na sua”. De repente tudo ficou escuro e acho que já era de noite por que eu já podia ver a lua no ceu. Toda branca, toda redonda. E a Júlia apareceu vestida de militar russa e me mandou fazer milhões de flexões enquanto gritava “ta vendo o que mais eu sei fazer? Eu sei mandar uns viados à merda. Mais 50 flexões seu bunda mole do caralho!”. Achei que ia ser uma porra dum sonho sexual mas nem foi.
-diabos.
-o que?
-que merda que não publicaram meu poema.
-o que isso quer dizer afinal?
-que não estão prontos para minha genialidade.
-será que isso é uma vontade inconsciente de ser dominado? De levar no rabo?
-acho que estou com o poema aqui
-será que estou virando gay? Me ajude Luiz!
-aqui- meteu a mão no bolso- vou ler um negócio pra você que vai fazer você se sentir melhor.

            Se levantou e  ficou uns dois passos distante, pra que mais gente pudesse ser abençoado com seus lindos versinhos. Pôs uma mão no peito e sai declamando:

-------------------------------- 
Você ouve os outros gritando
Mas ninguém nunca te ouve conversando!
Tenho um headbanger  dentro do meu peito!
Que chuta e pula pra vadia nenhuma
Botar defeito!
Me conta como é ser um clandestino
Que vaga pelos corações assim sem destino?

Me conta como é correr de medo
Toda vez que
Você ouve os outros gritando...
Mas ninguém nunca te ouve conversando!

Outro dia fui até teu apartamento
Ouvi alguém, uma puta,
Gritando lá dentro

Fui embora sem nem bater na porta!
Fui-me embora e na padaria
Saqueei uma torta
--------------------------------
            Ninguém deu a  mínima.

-o que achou?
-acho que estou perdendo o juízo.
-todos estão. Esse poema é ouro puro! Tem que ser um desajuizado pra ignorar essa porra!
            Luiz levantou e foi andando em direção à porta. Marvin acendeu um cigarro com uma certa indecisão: não sabia se era só um cigarro ou se era mais um símbolo fálico que punha na boca.

quinta-feira, novembro 01, 2012

31102012


Tenho tantas dúvidas
Pra suas respostas prontas
Meus ouvidos estão
 surdos para suas súplicas

Você ignora nossas vontades
Mas arrasta multidões ao dizer
Que é santa essa luminescência
Ainda que sem nenhuma
Consciência

Enche a boca na hora de odiar
Mas insiste em dizer que o
Homem foi feito pra amar.

Esconda seus pecados,
Cozinhando-os numa fogueira qualquer
E chora miséria no colo de
Alguma mulher.

quinta-feira, outubro 25, 2012

23102012


Mais um troféu lustrado de uma noite falhada.
Um monte de gente esperando ao pé da escada

Luzes, música
E um monte de palavras rústicas
Formam um antiquário perfeito
Uma estante de segredos
Nessa vida a gente só quer ser aceito.

Então você diz que amanhã a noite
Nos dois nos livraremos desse açoite
Que amanhã a noite
Enfim dominaremos o mundo também

Mas o amanhã nunca vem
Só domino um mundo sem ninguém
E o amanhã nunca vem.

terça-feira, outubro 23, 2012

Exatas


Aquele era um ano bem difícil pra mim. Cursinho é uma das melhores e piores coisas que se pode fazer. Por um lado a sensação de matar aula pra ficar o dia inteiro na casa da sua amiga é muito legal, por outro ficar com peso na consciência por causa disso não é tão bom.
                Eu tinha acabado de entrar na sala quando meu celular vibrou.
“então o que você está fazendo?”
“nossa, nada. Esperando o professor pra mais um dia zuado”
“que merda.”
“pois é”
                Ficamos um tempo em silêncio. Fazia um lindo dia lá fora, alguns passarinhos cantavam e um monte de gente seguia pro ponto de ônibus.
“o que você vai fazer?”
“não sei ainda. Acho que vou passar o dia deitada.”
“isso é bom. Faz tanto tempo que não fico o dia inteiro assim”
“porra vem pra cá então”
                Sai pela porta andando devagar, cruzei com o professor e nossos olhos se encontraram. Foda-se tudo quando alguém te chama pra fazer algo melhor. Ou simplesmente não fazer nada. A vida é muito curta né? Mesmo que às vezes, quando você ta sentado lá pensando pra onde está indo, de onde veio e blá blá ela pareça longa demais. Divago.
                Fui direto pro ponto de ônibus mas não conseguia lembrar de jeito nenhum qual deles eu deveria pegar. Perguntei pra uma mulher do meu lado e ele nunca tinha ouvido falar daquele bairro. Peguei o primeiro ônibus que dizia shopping dom Pedro, decidi que ia andar a partir dali. Andar nunca fez mal pra ninguém.
                Por sorte o ônibus passou na rua de trás da casa dela. Desci e fui andando. Procurei meus cigarros no bolso, mas achei que não ia dar tempo pra fumar, então guardei eles no bolso de novo.
                 Ela atendeu a porta e já me deu uma cerveja, gelada, como o coração das meninas que eu tinha conhecido até então, e me disse pra entrar. Parecia que a mãe dela não aparecia lá há semanas por que a casa estava uma bagunça. Tinha até um sapato em cima da mesa de jantar.
“então, sua mãe está em casa?”
“ela vem e vai o tempo todo. Mas ultimamente acho que está morando com o namorado dela”
                 Ela me deu mais uma cerveja e jogou a outra num canto qualquer. Também tinham algumas latas em cima da televisão. Tomei um gole e depois olhei pra ela. Me perguntei por um momento se eu devia fazer alguma coisa. Não precisei decidir, ela se aproximou e me beijou. Primeiro no rosto, e depois na boca.
                A manhã estava começando a ficar boa.

“porra eu estou cansado.”
                Me sentei na cama procurando a minha camisa.
“muita diversão?”
“andei pra caramba pra chegar até aqui. Não sabia qual ônibus pegar então eu desci no dom Pedro." menti mesmo, na cara dura. Só pra  verse ela ia ficar com dó de mim.
“sabe que tem um ônibus que passa na rua de trás?”
“bom, agora eu sei. Da próxima vez eu não vou ficar tão cansado”
“eu acho que não vai ter uma próxima vez”
                Eu dei uma engasgada pois estava no meio de um gole de cerveja.
“bom, eu ia te falar antes mas achei que você ia ficar todo meloso. Então resolvi só aproveitar o momento.”
“acho que foi uma boa ideia”
“é.... Então. Não é nada sobre você, é só que eu vou morar com meu pai...”
“nossa você está me trocando por um homem que tem idade para ser seu pai!”
                Ela me olhou de um jeito que dizia “não faça piada com a minha cara”
“brincadeira. Mas eu acho que... olha eu só posso dizer que eu quero que você seja feliz não importa onde seja... digo, eu não sou muito bom em dizer coisas, nem com despedidas. Acho que eu simplesmente vou embora. Qualquer dia nos nos encontramos... “
“nessa vida ou na próxima”
                Matei minha cerveja antes de dizer:
“você e essas merdas que você fala!”
                Sai da casa dela e fui direto pra casa. Não ia conseguir chegar no horário da aula de química. Afinal quimica é sempre o que fode com as coisa que deveriam ser só físicas. Você quer só o bom e velho atrito, mas seu coração reage de forma totalmente imprevisível.

sexta-feira, outubro 19, 2012

19102012



Nunca soube direito
O que tanto queria
De alguém assim como você

Todos os meus amigos são
Capazes de jurar
Que você não tem quase
Nada a acrescentar.

E agora com essa chuva
Eu não posso nem dar uma volta por ai
Ver os pássaros cantando aqui e ali

Nessa vida quase tudo muda

O chão continua molhado
Uma hora ou outra
Tudo terá acabado

Mas você continuará voando solta

Como sempre eu não sei o que quero
Como nunca, jamais tive uma certeza
Tão incerta como agora, que fazer rima não é
Minha maior qualidade

Mas, me reservo apenas o direito
De nunca estar satisfeito.

domingo, setembro 30, 2012

30092012


Viva a publicidade
Seja magro e
Consuma com voracidade

As luzes da cidade te lembram de alguma coisa?
Tudo aquilo que você não tem,
Toda a felicidade que nunca vem
Porque você não tem um carro ou seu
Corpo está aquém.

E o anúncio te convida
Vá além vá além
Vista essa marca e ainda
Hoje coma alguém

Deixe de ser um zé ninguém
Seja mais um qualquer
Prefira um celular à
Uma mulher

quinta-feira, setembro 06, 2012

06092012



A semana inteira eu passei fazendo umas coisas meio doidas.
Andando pela rua e imaginando qual daquelas casas seria a sua
Algumas eram bem parecidas com você...
Mesmo já fazendo um tempo que a gente não se vê

Tem uma que fica numa esquina, toda de tijolinho.
O vizinho me achou suspeito ali olhando a casa esperando
Que você qualquer hora aparecesse na janela
Acenando e dizendo bom dia

Sentado na sarjeta
Segurando um cigarrinho
Até eu me acharia suspeito
Com esse buraco enorme no meio do peito

Peguei meu carrinho e fui subindo a ladeira
Só peço uma coisa...
Que apareça em alguma casa dessa rua.
Cada coisa tem me acontecido...

Ontem mesmo veio uma amiga me dizer,
Que era masoquista. E que eu também era
Por ficar andando o dia inteiro atrás
De alguém que talvez não exista

Preciso te achar antes que ela resolva me amarrar