terça-feira, outubro 23, 2012

Exatas


Aquele era um ano bem difícil pra mim. Cursinho é uma das melhores e piores coisas que se pode fazer. Por um lado a sensação de matar aula pra ficar o dia inteiro na casa da sua amiga é muito legal, por outro ficar com peso na consciência por causa disso não é tão bom.
                Eu tinha acabado de entrar na sala quando meu celular vibrou.
“então o que você está fazendo?”
“nossa, nada. Esperando o professor pra mais um dia zuado”
“que merda.”
“pois é”
                Ficamos um tempo em silêncio. Fazia um lindo dia lá fora, alguns passarinhos cantavam e um monte de gente seguia pro ponto de ônibus.
“o que você vai fazer?”
“não sei ainda. Acho que vou passar o dia deitada.”
“isso é bom. Faz tanto tempo que não fico o dia inteiro assim”
“porra vem pra cá então”
                Sai pela porta andando devagar, cruzei com o professor e nossos olhos se encontraram. Foda-se tudo quando alguém te chama pra fazer algo melhor. Ou simplesmente não fazer nada. A vida é muito curta né? Mesmo que às vezes, quando você ta sentado lá pensando pra onde está indo, de onde veio e blá blá ela pareça longa demais. Divago.
                Fui direto pro ponto de ônibus mas não conseguia lembrar de jeito nenhum qual deles eu deveria pegar. Perguntei pra uma mulher do meu lado e ele nunca tinha ouvido falar daquele bairro. Peguei o primeiro ônibus que dizia shopping dom Pedro, decidi que ia andar a partir dali. Andar nunca fez mal pra ninguém.
                Por sorte o ônibus passou na rua de trás da casa dela. Desci e fui andando. Procurei meus cigarros no bolso, mas achei que não ia dar tempo pra fumar, então guardei eles no bolso de novo.
                 Ela atendeu a porta e já me deu uma cerveja, gelada, como o coração das meninas que eu tinha conhecido até então, e me disse pra entrar. Parecia que a mãe dela não aparecia lá há semanas por que a casa estava uma bagunça. Tinha até um sapato em cima da mesa de jantar.
“então, sua mãe está em casa?”
“ela vem e vai o tempo todo. Mas ultimamente acho que está morando com o namorado dela”
                 Ela me deu mais uma cerveja e jogou a outra num canto qualquer. Também tinham algumas latas em cima da televisão. Tomei um gole e depois olhei pra ela. Me perguntei por um momento se eu devia fazer alguma coisa. Não precisei decidir, ela se aproximou e me beijou. Primeiro no rosto, e depois na boca.
                A manhã estava começando a ficar boa.

“porra eu estou cansado.”
                Me sentei na cama procurando a minha camisa.
“muita diversão?”
“andei pra caramba pra chegar até aqui. Não sabia qual ônibus pegar então eu desci no dom Pedro." menti mesmo, na cara dura. Só pra  verse ela ia ficar com dó de mim.
“sabe que tem um ônibus que passa na rua de trás?”
“bom, agora eu sei. Da próxima vez eu não vou ficar tão cansado”
“eu acho que não vai ter uma próxima vez”
                Eu dei uma engasgada pois estava no meio de um gole de cerveja.
“bom, eu ia te falar antes mas achei que você ia ficar todo meloso. Então resolvi só aproveitar o momento.”
“acho que foi uma boa ideia”
“é.... Então. Não é nada sobre você, é só que eu vou morar com meu pai...”
“nossa você está me trocando por um homem que tem idade para ser seu pai!”
                Ela me olhou de um jeito que dizia “não faça piada com a minha cara”
“brincadeira. Mas eu acho que... olha eu só posso dizer que eu quero que você seja feliz não importa onde seja... digo, eu não sou muito bom em dizer coisas, nem com despedidas. Acho que eu simplesmente vou embora. Qualquer dia nos nos encontramos... “
“nessa vida ou na próxima”
                Matei minha cerveja antes de dizer:
“você e essas merdas que você fala!”
                Sai da casa dela e fui direto pra casa. Não ia conseguir chegar no horário da aula de química. Afinal quimica é sempre o que fode com as coisa que deveriam ser só físicas. Você quer só o bom e velho atrito, mas seu coração reage de forma totalmente imprevisível.

sexta-feira, outubro 19, 2012

19102012



Nunca soube direito
O que tanto queria
De alguém assim como você

Todos os meus amigos são
Capazes de jurar
Que você não tem quase
Nada a acrescentar.

E agora com essa chuva
Eu não posso nem dar uma volta por ai
Ver os pássaros cantando aqui e ali

Nessa vida quase tudo muda

O chão continua molhado
Uma hora ou outra
Tudo terá acabado

Mas você continuará voando solta

Como sempre eu não sei o que quero
Como nunca, jamais tive uma certeza
Tão incerta como agora, que fazer rima não é
Minha maior qualidade

Mas, me reservo apenas o direito
De nunca estar satisfeito.

domingo, setembro 30, 2012

30092012


Viva a publicidade
Seja magro e
Consuma com voracidade

As luzes da cidade te lembram de alguma coisa?
Tudo aquilo que você não tem,
Toda a felicidade que nunca vem
Porque você não tem um carro ou seu
Corpo está aquém.

E o anúncio te convida
Vá além vá além
Vista essa marca e ainda
Hoje coma alguém

Deixe de ser um zé ninguém
Seja mais um qualquer
Prefira um celular à
Uma mulher

quinta-feira, setembro 06, 2012

06092012



A semana inteira eu passei fazendo umas coisas meio doidas.
Andando pela rua e imaginando qual daquelas casas seria a sua
Algumas eram bem parecidas com você...
Mesmo já fazendo um tempo que a gente não se vê

Tem uma que fica numa esquina, toda de tijolinho.
O vizinho me achou suspeito ali olhando a casa esperando
Que você qualquer hora aparecesse na janela
Acenando e dizendo bom dia

Sentado na sarjeta
Segurando um cigarrinho
Até eu me acharia suspeito
Com esse buraco enorme no meio do peito

Peguei meu carrinho e fui subindo a ladeira
Só peço uma coisa...
Que apareça em alguma casa dessa rua.
Cada coisa tem me acontecido...

Ontem mesmo veio uma amiga me dizer,
Que era masoquista. E que eu também era
Por ficar andando o dia inteiro atrás
De alguém que talvez não exista

Preciso te achar antes que ela resolva me amarrar

quarta-feira, agosto 22, 2012

Número 2



                Deitei aqui pra tentar dormir. Fiquei pensando tanto que não consegui dormir, e estou atrasado. Não sei bem pra que. Afinal não tenho nenhum lugar pra ir. Meu dinheiro anda curto.
                E mesmo assim eu continuo deitado. Talvez até pudesse ligar para algum amigo. Pra alguma amiga talvez... Não, não tenho dinheiro nem pra ter “amigas”.
                Coloquei uma musica do David Bowie pra tocar, comecei a pensar em como as pessoas desperdiçam a vida delas com um monte de coisa que nem deveriam existir.

“Please tell my wife i love her very much”

 Se bem que eu sou um dos que mais faz isso. Até tentei ler um ou outro livro nessa deitada. Mas cada vez que começava a ler minha mente imediatamente saia viajando por ai. Muitas vezes eu penso que erro por nunca tentar algo novo. Sair de casa e conhecer um monte de idiotas com quem não me identifico. Dormir cedo e acordar pra ir ao parque. Essas coisas que eu acho que já escrevi sobre muitas vezes.
                Mas minha cama anda tão confortável ultimamente, e as pessoas tão chatas que meu travesseiro tem levado a melhor nessa questão de quem fica com quem.
 “Here am I floating round my tin can
Far above the moon
Planet Earth is blue, and there's nothing I can do...”

terça-feira, agosto 21, 2012

21082012 II


Tentava achar um caminho mais curto
Para chegar mais rápido em casa
Para ficar mais perto de mim

Nem sempre é possível ter aquilo que queremos
Dizem até que, é por isso que sofremos

Eu digo que sofremos por que pensamos

Enquanto isso eu sento no meio fio
Espero o sol se por pra perguntar 
Alguém quer seda?
Pra não mais se importar
Pelo menos até o o dia passar

21082012 I


Levo sempre comigo
Um monte de coisas que
Não mostro para meus amigos

Por falta de ter o que fazer,
Deito na grama e vejo
Todos os sonhos que tenho,
Um por um, morrerem.

São as nuvens feitas daquele
Algodão que usei pra limpar
Cada machucado, cada ralado,
E, no final da tarde, joguei no lixo?

E vou pra casa tomar banho de esguicho

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Quase um mês com 19 anos... você começa a se perguntar várias coisas.
bom, to tirando alguns poemas que eu gosto bastante pra depois publicar tudo junto numa espécie de coletânea.
Adiós Amigo

Seahorse



I own the ticks on a horse
I own his belly and balls
I own this
the way his eyes roll
the way he eats hay
and shits and
stands up asleep
he is mine
this machine
like a blue train I used to play with
when my hands were smaller and my mind better
I own this horse,
someday I will ride my horse
down all the streets
past the trees we will go
up the mountain
down the valley

domingo, agosto 12, 2012

Stalkiando noite a dentro


A noite era clara
Mas o sono não me vinha
Comecei então a rabiscar
O meu braço com um canivete

Pensando quem sou eu em meio
A todo esse drama
Em busca de amor eterno
Ou um pouco de fama.
Pessoas escrevendo na internet
E desejando que a vida delas viesse
Com o corretor do Google

E eu sou aquele espionando
No escuro a sua conta no Facebook
Desejando que um dia o computador
Produza cheiros e que eu possa baixar o seu
Perfume